domingo, 22 de junho de 2014

CONCEITOS DE DEUS EM DIVERSOS PARADIGMAS FILOSÓFICOS E TEOLÓGICOS

DEUS NO TEÍSMO JUDAICO-CRISTÃO O conceito teísta de Deus é comum à tradição judaica-cristã. É a descrição do Deus da Bíblia. Nem todos os teístas, no entanto, são cristãos. Três dos maiores pensadores clássicos que articularam este ponto de vista foram: Agostinho, Anselmo, e Aquino. Alguns proponentes modernos importantes incluem Leibniz e, mais recentemente, C. S. Lewis. Há pelo menos três elementos básicos de um conceito teísta de Deus; tratam da natureza do próprio Deus, da natureza da criação, e da natureza da atividade de Deus. Deus está tanto além do mundo quanto dentro dele Conforme o teísmo, Deus não é o mundo (nem o universo), mas está "além" dele, ou é "mais do que" ele. Ou seja: Deus é transcendente. O universo é finito ou limitado, e Deus é infinito ou ilimitado. Além disto, Deus está "no" universo Isto quer dizer que Deus está imanentemente presente como a causa sustentadora do universo. Em resumo:o relacionamento entre Deus e o mundo é análogo ao relacionamento entre um pintor e sua pintura. O pintor está além da pintura, mas também está refletido na pintura e é a causa dela. Mesmo assim, o teísta protestaria que esta analogia não vai muito longe, pois Deus está contínua, pessoal e intimamente envolvido em sustentar o universo; ao passo que o pintor pode deixar sua pintura uma vez que tenha sido pintada. A criação é ex nihilo O teísmo sustenta que o mundo depende de Deus para sua própria existência. Sem o sustento criador de Deus, o mundo não existiria.Tradicionalmente, esta doutrina tem sido chamada a criação ex nihilo ("do nada"). Por "do nada" os teístas querem dizer que não teria havido nada mais a não ser que Ele tivesse criado algo. Os teístas sustentam que Deus não criou o mundo dalguma outra coisa. A doutrina do ex-nihilo ressalta a contingência radical de tudo fora de Deus Somente Deus é um Ser Necessário. Isto quer dizer que Ele é um Ser que não pode não existir. Tudo o mais no universo é contingente (algo que pode não ser). Mas o que pode não existir deve ser criado a fim de existir; deve passar da não existência para a existência. A crença teísta significa que Deus não criou o mundo usando a si mesmo como matéria (ex Deo), como no panteísmo, nem dalguma matéria preexistente (ex hulès), mas, sim, de nada mais (ex nihilo). Deus pode agir sobrenaturalmente no mundo. O sobrenaturalismo é uma terceira implicação do teismo. O naturalista que não acredita em Deus considera que o universo é "tudo quanto há." O teísta, por contraste, acredita que há mais — a saber: um âmbito sobrenatural. O teísta acredita que o mundo é radicalmente dependente de um Deus todo-poderoso que criou o mundo e que continuamente o sustenta. Se esta é a verdade, segue-se logicamente que semelhante Deus também pode intervir no mundo. Este tipo de intervenção especial no mundo é chamado um milagre. Os teístas não acreditam que as leis naturais são fixas e imutáveis e, portanto, invioláveis. Acreditam que as leis naturais são descrições da maneira regular de Deus operar na Sua criação, não preceitos de como Ele deve operar. Os milagres, portanto, são eventos que manifestam a maneira irregular ou especial de Deus operar no mundo. É essencial ao teísmo manter a possibilidade dos milagres. Em resumo: se há um Deus que pode agir no mundo, segue-se, pois, que pode haver atos especiais (milagres) de Deus no mundo. Avaliação do Teísmo Há vários argumentos dirigidos contra o teísmo. Mencionaremos aqui, por enquanto, somente aqueles que vêm dos "ateólogos" ou ateus,visto que os conceitos alternativos de Deus serão discutidos abaixo. Deus é impossível Há dois tipos de argumentos que são propostos para demonstrar que o conceito teísta de Deus contém contradições. Uma forma do argumento é como segue: Se Deus realmente fosse todo poderoso, logo, poderia criar uma pedra tão pesada que Ele não poderia erguê-la. Mas se Ele não poderia erguê-la, não seria todo-poderoso. Logo, nenhum Deus deste tipo pode existir. Utilizando-se da objeção ateísta diríamos, preliminarmente, que alguns teístas notaram que Deus não pode fazer alguma coisa que é impossível por definição.Assim como é impossível haver um círculo quadrado, ou criar outro Deus não-criado, os teístas sustentam que é impossível para Deus fazer uma pedra que Ele não pode erguer. Outros ateístas explicam que o problema começa com o emprego de um negativo duplo: "Se Deus não pode fazer uma pedra que não pode erguer, logo, Ele não é onipotente." Se fôssemos colocar esta expressão em notação lógica,no entanto, a declaração rezaria: "Qualquer pedra que Deus pode fazer, Ele pode erguer." A declaração, feita nestas palavras, não apresenta qualquer limitação ao poder de Deus. Uma segunda objeção ateia é que Deus, por Sua natureza, deve ser auto-causado,o que é impossível. Mas conforme o teísmo, tudo deve ter sido causado, menos Deus, que não é causado por coisa alguma. Os críticos respondem que se Deus é a causa de tudo, logo, deve ter sido a causa de Si mesmo. Mas isto é impossível, porque ninguém pode causar sua própria existência. Uma causa é ontologicamente prévia ao seu efeito; mas um ser não pode ser ontologicamente prévio a si mesmo. Deus não pode simultaneamente estar causando Sua própria existência e sendo causado. A resposta do teísta é que isto envolveria uma noção enganosa a respeito de Deus. Deus não seria um Ser auto-causado; seria um Ser não causado. E não haveria, na argumentação teísta, contradição alguma em afirmar que Deus não é causado por outro ou por Si mesmo, mas, sim, é um Ser Necessário que existe sempre e necessariamente. Os teístas também notam que nem todas as coisas precisam de uma causa, mas, sim, apenas algumas coisas, a saber: coisas contingentes ou criadas, precisam de causas. 0 “Criador” (utilizando-se de uma categoria cara aos teístas) não seria uma criatura,e, portanto, não precisa de uma causa ou além de Si mesmo ou em Si mesmo. Ele não seria causado. O mal é incompatível com Deus A outra objeção principal ao teísmo é baseada no problema do mal. Freqüentemente tem sido declarado na seguinte forma: (1) Se Deus fosse todo-poderoso, poderia destruir o mal. (2) Se Deus fosse todo-bondoso, destruiria o mal. (3) Mas o mal existe. (4) Logo, não há semelhante Deus. O teísta responde ao indicar, em primeiro lugar, que a premissa três submete Deus a um limite injustificável quanto ao tempo. Diz, com efeito, que visto que Deus ainda não fez nada para derrotar o mal, o ateísta tem absoluta certeza de que nunca o fará. Mas isto não pode ser sabido com certeza por qualquer mente finita. É possível que Deus ainda derrotará o mal no futuro. É isto realmente que os cristãos acreditam, pois é predito na Bíbllia (Apocalipse 20-22). Em segundo lugar, é possível que Deus não possa destruir o mal sem destruir a liberdade— que é reconhecida como um bem até mesmo pela maioria dos ateus. Pode ser que a única maneira que Deus pudesse eliminar o mal, falando a rigor, seria por meio de tornar os homens em robôs. Mas se os homens fossem reduzidos a máquinas, já não haveria um mundo moral. Um mundo moral, portanto, é possível somente onde há seres morais (pessoais). Sem um mundo moral, não haveria qualquer problema moral do mal. O teísta indica que se crermos na existência do Deus teísta, automaticamente teríamos uma resposta ao problema do mal. O argumento pode ser declarado da seguinte maneira: (1) Visto que Deus é todo-bondoso, Ele tem a vontade de derrotar o mal. (2) Visto que Deus é todo-poderoso, Ele tem o poder para derrotar o mal. (3) O mal ainda não foi derrotado. (4) Logo, o mal será derrotado. Ou seja, a própria natureza do Deus do teísmo exige que Ele faça qualquer bem possível acerca da situação. Se não parece agora aos homens, como seres finitos, que isto é assim, é porque não podemos ver o "quadro total" ou o "fim definitivo." Bem. Até aqui contemporizei o que asseverou o pastor presbiteriano Josias Moura em uma argumentação muito pertinente, embora discorde de alguns pontos. Vejamos a opinião de um orientalista branco (do mundo anglo-saxônico) Allan W. Watts no ensaio Mitologia Ocidental: Dissolução e Transformação que ajuda a entender o real caráter do Deus pessoal ocidental: A base do senso comum por trás de grande parte das leis e instituições sociais dos Estados Unidos é uma teoria do universo fundamentada nas antigas monarquias despóticas do Oriente Próximo. Na verdade, títulos como "Rei dos Reis" e "Senhor de todos os Senhores" eram típicos dos imperadores persas. Os faraós do Egito e o legislador Hammurabi forneceram um modelo de pensamento sobre este mundo. Pois a idéia fundamental subjacente ao imaginário do livro do Gênesis e, conseqüentemente, das tradições judaica, islâmica e cristã é a de um universo como um sistema de ordem imposta de cima pela força espiritual, à qual devemos obediência. Essa idéia comporta o seguinte complexo de sub-ideias: que o mundo físico é um artefato. É algo feito, construído. Ademais, implica a ideia de que é uma criação em cerâmica. O livro do Gênesis diz que o Senhor Deus criou Adão com barro e, tendo feito o modelo em argila, soprou o sopro da vida em suas narinas e a figura de argila tornou-se a incorporação de um espírito vivo. Esta é a imagem básica inserida profundamente no senso comum da maioria dos povos do mundo ocidental. Assim, é natural que uma criança educada na cultura ocidental pergunte à mãe: Como foi que me fizeram? Achamos muito lógico perguntar: Como foi que me fizeram?Mas acho que uma criança chinesa não faria essa pergunta. Não ocorreria a ela. A criança chinesa poderia dizer: Como foi que eu cresci?, mas não: - Como foi que me fizeram?no sentido de ter sido construído, montado, formado por alguma substância básica, inerte e, portanto,essencialmente boba. Pois quando tomamos a imagem da argila, não esperamos ver argila por si só formando um vaso. A argila é passiva. A argila é homogeneizada. Não tem uma estrutura especial. É uma espécie de grude. Para assumir uma forma inteligível precisa ser trabalhada por uma força e uma inteligência externas. Assim, temos a dicotomia da matéria e da forma, que encontramos em Aristóteles e mais tarde na filosofia de Santo Tomás de Aquino. A matéria é uma espécie de coisa básica que só toma forma com a intervenção da energia espiritual. Esta tem sido uma questão básica para todo o nosso pensamento ― o problema da relação entre matéria e mente. DEUS NO TEÍSMO NAGÔ-IORUBANO DO SUL DA NIGÉRIA O conceito de Deus aqui é pessoal. Deus seria o criador do universo e seria o governante máximo (oni,oba), porém não governaria o universo sozinho.Residiria no seu palácio no Orum e de lá reuniria de vez em quando os orixás , com os quais divide o reino do universo. Ao contrário do Jeová de Moisés, Olorum tem um temperamento estável, moderado, calmo. Não interfere no destino dos homens, pois criou o mundo (o Aiyê) mas desgostoso se retirou dele e foi viver no Orum. Para não deixar os homens desamparados, deixou-os sob proteção dos Orixás. Alguns pesquisadores sustentam a hipótese, de que esse Olorum excessivamente antropormofizado seria influência das religiões monoteístas e patriarcalistas (Cristianismo e Islã) no território Yorubá. Já Ronaldo Senna e Maria José de Souza – Tita apresentam uma versão menos sincrética: Olodumaré é a manifestação de tudo o que existe, o universo e todos os seus componentes. A ele nada se pede e não é possível contatá-lo. É indecifrável, a pronúncia do seu nome deve ser seguida de uma reverência, tocando-se a terra com os dedos. O espírito primal que sustenta a forma como elemento da criação. Pode ser entendido como o arquétipo ou o repositório de todas as formas que dão configuração à matéria; um símbolo universal da substância p.84-85 Assim, concluímos que o teísmo do povo iorubano é uma espécie peculiar de monolatria . DEUS NO DEÍSMO Na linha do racionalismo, caracteriza-se pela negação das religiões positivas (especialmente do cristianismo), sustentando como credo geral a existência axiológica de um Ser Supremo, sem que deva existir qualquer Igreja ou sistema organizado de culto (Voltaire, Diderot e D’Alembert). Enquanto o teísmo cristão superlativa Deus com todos os atributos positivos, reconhecendo no diabo todos os superlativos negativos - diferente do teísmo judeu, que admite vir tanto o bem, como o mal, do mesmo Deus; o deísmo admite a existência de Deus, mas que este não se revela e não interage com a humanidade. Mas, a mudança mais importante gerada por esse novo sistema está baseada no novo conceito de religião natural. Assim, segundo Herberto de Cherbury existe uma religião natural, comum a todos os homens e independente de revelação, pela qual o homem pode tornar-se bem aventurado, mesmo sem o conhecimento da revelação. O Deísmo acredita que Deus está além do mundo, mas não dentro do mundo (Deus é transcendente mas não imanente, pelo menos não de qualquer maneira sobrenatural). O deísmo finito acredita que Deus está além do universo mas não no controle supremo dele (em contraste com o teísmo); o universo não é o "corpo" de Deus (em contraste com o panenteísmo). O deísmo é uma forma dessobrenaturalizada do teísmo; seu conceito de Deus é o conceito bíblico de Deus, menos os milagres. Certo famoso deísta norte-americano, Thomas Jefferson, literalmente cortou todas as passagens milagrosas fora dos Evangelhos e colou as sobras dessobrenaturalizadas num livro para recortes. Já foi publicada como a "Bíblia de Jefferson." Os dois elementos principais do deísmo são suas perspectivas sobre a natureza de Deus e a natureza do mundo. Deus Está Além do Mundo O deísta acredita na transcendência de Deus. Deus é mais do que o universo; Ele é o Criador do mundo. Quanto a isto, o deísta toma partido com o teísmo na sua oposição ao dualismo (especialmente o dualismo da filosofia grega) que considera o mundo e Deus como sendo duas realidades co-eternas. Para o deísta, a existência do mundo depende de Deus e não é independente dEle. O Mundo Opera Naturalmente Todos os deístas acreditam que o mundo opera por lei natural, mas diferem entre si quanto à razão do seu naturalismo. Alguns deístas sustentam que Deus não pode intervir sobrenaturalmente no mundo, ao passo que outros dizem que Ele não quer. Chamemos estas formas de deísmo, "dura" e "branda" respectivamente. Devemos notar que poucos deístas acreditam que Deus está desinteressado no homem, pois qualquer Deus que está suficientemente interessado em criar o homem certamente deve estar suficientemente interessado para ajudá-lo. O deísta "duro" geralmente adota uma crença na imutabilidade das leis naturais. Acredita que, em efeito, "estão amarradas as mãos" de Deus por aquilo que criou. Esta idéia tem suas raízes no deísmo do século XVIII. A frase da Declaração de Independência norte-americana que se refere aos"direitos inalienáveis" do homem reflete a forte crença deísta na lei natural. O deísta "brando" acredita que a falta de intervenção de Deus seja devida ao fato de que Ele não deseja interferir com nossa vida. Alguns acreditam que seria uma má reflexão do caráter de Deus como um Criador perfeito se tivesse constantemente de "consertar" Sua criação por intervenções milagrosas. Outros simplesmente ressaltam o desejo de Deus no sentido de que o homem, como criatura livre e autônoma, deva "viver por conta própria." Seja qual for a razão, porém, os deístas negam o fato dos milagres, ou pelo menos sua necessidade no relacionamento entre Deus e o mundo. É importante notar que o deísmo encoraja uma piedade natural e uma adoração a Deus (inclusive a oração) bem como uma forte ênfase na lei moral. Realmente, uma das justificativas da Revolução Americana era a crença deísta que as leis morais de Deus são superiores às leis dos homens. Os deístas do século XVIII acreditavam que era, portanto, às vezes necessário romper o jugo tirânico do governo humano a fim de não violar os direitos inalienáveis da vida, da liberdade e a busca da felicidade outorgados pelo o que os teólogos teístas chamam de Criador. DEUS NO PANTEÍSMO O panteísmo é freqüentemente considerado um conceito "oriental" de Deus, e o teísmo um conceito "ocidental." Esta não é a verdade rigorosa, no entanto, visto que há sistemas panteístas ocidentais (tais como Spinoza e Plotino) bem como sistemas não-panteístas orientais (tais como o siquismo). Tipos de Panteísmo Todos os panteísmos são realmente formas de monismo, não de pluralismo. Sustentam que a realidade é ulteriormente uma, não muitas. Mais precisamente, os muitos existem no um ao invés de um nos muitos. Noutras palavras, os panteístas acreditam que Deus abrange tudo quanto existe. Dentro deste arcabouço, cinco tipos de panteísmo podem ser distinguidos. O panteísmo absoluto. Esta forma de panteísmo ensina que há somente uma única realidade. O filósofo grego Parmênides é um exemplo deste ponto de vista. Argumentava que somente poderia haver uma só realidade; o resto é ilusão. Parmênides raciocinava que se dois seres (ou mais) existissem, teriam de diferir entre si. Mas somente há duas maneiras de diferir: por ser (algo) ou por não ser (nada). No entanto, disse Parmênides,duas coisas não podem diferir pelo ser, pois é exatamente a respeito disto que são idênticas. E não podem diferir pelo não-ser, pois diferir por nada não é diferir de modo algum. Logo, concluiu Parmênides, somente pode haver um só Ser. O fato de que as coisas parecem ser muitas é nada mais do que uma ilusão. A lógica exige que todas as coisas sejam uma só. O panteísmo de emanação Na sua forma neo-platônica de panteísmo,Plotino reconhecia que há uma multiplicidade no universo, mas insistiu que toda a multiplicidade se desdobra da simplicidade absoluta do Único (Deus). O universo é criado ex Deo (composto do próprio Deus); o mundo é uma emanação de Deus. Tudo quanto existe desdobra-se de modo eterno e necessário, assim como o botão se desdobra em flor. A multiplicidade flui da simplicidade assim como os raios fluem do centro de um círculo. Deus (o Único) está além de toda a existência, o conhecer a consciência. O Único é a Unidade Absoluta que, ao emanar para fora, para a mente(Nous), passa a conhecer por meio de refletir-se de volta sobre sua Fonte absolutamente simples (o Único). A simples dualidade do conhecedor e do conhecido dá origem à Alma Mundial, que contém todas as demais almas como parte da sua espécie. Estas almas informam ou animam a matéria,que é a emanação mais distante do centro da Unidade Absoluta. A matéria é a mais múltipla de todas, e fica mais perto do Nada ou não-ser absoluto. O panteísmo de muitos níveis No hinduísmo, o panteísmo de Sankara tem muitos níveis. O nível mais alto da realidade, Brahma, está além de toda a materialidade e multiplicidade. Brahma é revelado ou manifestado, porém, noutros níveis. O próximo nível abaixo do nível mais alto e absoluto é o Espírito Criador, Isvara, que, em contraste com Brahma, é uma personalidade, um "Ele." O terceiro nível é o Espírito Mundial (Hiranyagarbha). Diferentemente do panteísmo de emanação, de Plotino, estes três níveis não são uma emanação em cascata, sendo que um deriva do outro, mas, sim, são três níveis descendentes, cada um da mesma realidade ulterior (Brahma). O mundo (viraj) não é total ilusão, mas é simplesmente o grau mais baixo da realidade, fundamentado em Brahma. O panteísmo modal O racionalista Benedito Spinoza desenvolveu uma forma modal do panteísmo. Postulou uma única Substância absoluta no universo, da qual tudo o mais é apenas um modo ou momento. Ou seja: a realidade é essencial ou substancialmente uma, mas modalmente muitas. Olhando a realidade "de cima para baixo," por assim dizer, há apenas um Ser infinito e necessário (Deus). Mas ao olhar a realidade "de baixo para cima," há múltiplos aspectos ou dimensões. Estes aspectos ou modos, no entanto, não são seres separados. Nada há além do Ser infinito; toda a realidade está dentro do oceano infinito do Ser. A aparência da separação e da multiplicidade é devida ao engano da percepção dos sentidos. Pelo emprego de axiomas evidentes em si mesmos, a mente pode deduzir a verdade de que toda a realidade é uma só, e a deduz mesmo. O panteísmo de desenvolvimento Tanto Plotino quanto Sankara sustentavam panteísmos "verticais," em que o movimento do Único para os muitos é de "cima para baixo." Hegel, do outro lado, desenvolveu um tipo de panteísmo "horizontal," em que o Espírito Absoluto se desdobra vapor desenvolvimento na história. Hegel acreditava que a história está "avançando para algum lugar," em direção a um alvo ou fim. Os fenômenos ou acontecimentos da história são manifestações do Espírito Absoluto. O desenvolvimento dialético que Hegel fez do Absoluto é algo como o que se segue: Quando alguém postula o ser, o máximo que pode ser dito, assim também asseverou o não-ser, o mínimo que pode ser dito. Mas a partir da tensão entre os opostos (ser e não-ser) emerge o tornar-se. A realidade mundial, portanto, é um estado de tornar-se. A manifestação de Deus na história é de desenvolvimento. Com exceção do panteísmo absoluto de Parmênides, todos os demais conceitos panteístas concedem que algum tipo de distinção (mas nenhuma divisão ou separação) existe na realidade. Seja, porém, tal distinção dê emanação, modal, ou de desenvolvimento, cada conceito sustenta que a realidade é ulteriormente Uma, e que os muitos existem somente no Único. Elementos Básicos de um Conceito Panteísta Há vários elementos distintivos envolvidos no panteísmo. Cada um deles pode ser visto em contraste com o teísmo. A natureza de Deus Deus é não-pessoal. A personalidade, a consciência, o conhecimento, e assim por diante, são níveis mais baixos da manifestação. O nível mais alto da realidade está além da personalidade. Consiste na simplicidade absoluta. A natureza da criação A criação não é ex-nihilo, como no teísmo; é ex Deo (da parte de Deus). Há uma só "substância" no universo, e tudo é uma emanação dela. O relacionamento entre Deus e o mundo. Em contraste com o teísmo,que sustenta que Deus está além do universo e separado dele, o panteísta acredita que Deus e o universo são um só. Deus é o Tudo e o Tudo é Deus. Alguns panteístas falam do mundo como sendo uma ilusão. Neste sentido,o mundo não é Deus; é nada. Mas seja qual for a realidade existente no mundo, é a realidade de Deus. O mal não é real Nas formas mais rígidas do panteísmo, o mal é uma mera ilusão, um erro da mente mortal. O mal parece ser real, mas não o é. E devido ao engano dos nossos sentidos; é o resultado de pensar parcialmente ao invés de holisticamente acerca da realidade. A Totalidade é realmente boa; somente parece ser má se alguém olhar separadamente uma parte da Totalidade. DEUS NO PANENTEÍSMO O panenteísmo significa tudo-em-Deus. E talvez melhor entendido, no entanto, como Deus-em-tudo ou Deus-no-mundo. O panenteísta acredita que Deus está no mundo assim como uma alma está no corpo. Características Básicas do Panenteísmo A diferença mais fundamental entre o teísmo e o panenteísmo é que o primeiro é um conceito monopolar de Deus, e o segundo, um conceito bipolar. O teísmo bipolar Em certo sentido, o panenteísta é um teísta bipolar ou dipolar. Acredita que Deus e o mundo são dois pólos de uma só realidade global. Quanto a isto, o panenteísmo é um tipo de "hospedaria a meio caminho" entre o teísmo e o panteísmo. O teísta acredita que Deus está além do mundo (e dentro dele); o panteísta acredita que Deus é o mundo;mas o panenteísta sustenta que Deus está no mundo. Alfred North Whitehead e Charles Hartshorne são proponentes contemporâneos do conceito bipolar. Segundo estes filósofos, Deus tem um polo potencial que não é o mundo, e um polo real que é o mundo. 0 polo potencial é eterno e infinito; o polo real é temporal e finito. O pólo real de Deus (Seu "corpo") está em mudança constante. Logo, o conceito às vezes é chamado a "teologia de processo". Porque este polo em mudança é finito, o panenteísmo pode ser classificado como uma forma de deísmo finito. O panenteísta reage fortemente contra o Deus monopolar do teísta clássico, e argumenta que semelhante Deus não poderia ter relacionamento relevante (ou interdependente) com o mundo. É por isso que o panenteísmo às vezes é chamado o teísmo neo-clássico. O relacionamento entre Deus e o mundo O teísmo alega que o mundo depende de Deus, mas que Deus é independente do mundo. Os panenteístas, no entanto, insistem que Deus depende tanto do mundo quanto o mundo depende dEle. Ou seja: Deus e o mundo são interdependentes. 0 mundo, dizem eles, é a concretização do pólo puramente potencial de Deus. Estes potenciais puros (chamados a"natureza primordial" de Deus) entram na dimensão do espaço e do tempo e são concretizados na totalidade organística do mundo (chamada a "natureza conseqüente" de Deus). O valor e o mal Todos os acontecimentos no mundo, inclusive todos os atos de bondade e de beleza, são conservados ou "armazenados" na natureza conseqüente de Deus. Todo evento no mundo é, em qualquer dado momento, ou positivamente absorvido ("apreendido") ou negativamente rejeitado pela totalidade organística do mundo. Aquilo que, num dado momento, é incompatível com a unidade da totalidade positiva é chamado "mal." O mesmo tipo de evento, no entanto, num momento posterior do processo mundial que avança, pode encaixar-se na totalidade, e assim ser chamado o "bem." A criação é ex hulês. O panenteísmo tem muita coisa em comum com os dualismos gregos antigos. Como no dualismo, os panenteístas sustentam que os dois pólos são eternos. O polo físico (o "corpo" de Deus) não é criado do nada. Sempre esteve presente; a criação é um processo contínuo de formá-lo ex hulês, ou seja, da matéria ou material já presente. Na realidade, falando a rigor, Deus não é Criador soberano do mundo(como no teísmo), mas sim, um Diretor de um processo mundial. O DEUS FINITO Há numerosos exemplos do conceito do deus finito na história da filosofia. O Demiurgo de Platão se encaixa na categoria, bem como os 47 ou 55 Motores Imóveis ou deuses de Aristóteles, que movem "as esferas." Nos tempos modernos, David Hume deu ímpeto à idéia de um deus finito ao citar o problema do mal. Hume alegava que o melhor que um mundo imperfeito, tal como o temos, pode comprovar é um deus finito e imperfeito. O caso é assim por duas razões. Primeiramente, uma causa precisa somente ser adequada para seu efeito finito. Em segundo lugar,segundo o princípio de que a causa deve assemelhar-se ao seu efeito, é necessário concluir que a causa, como seu efeito, é imperfeita. John Stuart Mill, depois de Hume, também concluiu assim, e argumentou que a existência do mal torna altamente improvável que exista um Deus todo poderoso e totalmente bom. William James chegou à mesma conclusão. Talvez o representante mais forte do deísmo finito nos Estados Unidos, no entanto, foi Edgar Brightman (1884-1953). Brightman considerava Deus como um tipo de herói em lutas; o qual desejava o bem para o mundo porém sem ter capacidade de garanti-lo. Ao invés de examinar qualquer deísta finito específico, simplesmen te resumiremos algumas das doutrinas centrais da crença. Talvez a melhor maneira de entender o deísmo finito seja como contraste ao teísmo. A natureza de Deus é limitada. 0 teísmo proclama que Deus é ilimitado no Seu poder e na Sua bondade. 0 finitismo acha isto incrível tendo em vista o mal persistente e difuso no mundo. Se Deus fosse todo-poderoso,poderia destruir o mal, e se fosse de bondade infinita, Ele o destruiria mesmo. Mas visto que o mal não é destruído Deus deve estar limitado no Seu poder ou na Sua bondade. A crença num Deus absolutamente poderoso e perfeito não explica os males surdos (irracionais) — o desperdício, a crueldade, e a injustiça no mundo natural, sem mencionar a falta de intervenção da parte de Deus na "desumanidade do homem para com seu próximo." A luta com o mal De acordo com o deísmo finito, há um efeito salutar de entender que Deus é finito; dá-nos mais motivação para lutar contra o mal. Se, pois, Deus fosse todo-poderoso e o resultado garantido de antemão, por que, pois, deveria eu lutar contra o mal? Um Deus absoluto poderá cuidar disto por conta própria, e o fará mesmo. Se, doutro lado, o resultado depender de mim, e aquilo que faço realmente contar para a eternidade, logo, os limites de Deus fornecem as mais altas motivações para o serviço. DEUS NO HINDUÌSMO Karen Armstrong esclarece como os hindus lidam com o conceito de Deus: No século X a.C., alguns árias se instalaram no subcontinente indiano e deram um novo nome à realidade suprema. O brahman era o princípio invisível que permitia o crescimento e o desenvolvimento de todas as coisas. Era um poder mais alto, mais profundo e mais fundamental que os deuses. Como transcendia as limitações da personalidade, podia ser totalmente inadequado rezar para ele ou esperar que atendesse às orações. O brahman era a energia sagrada que unia todos os diversos elementos do mundo e impedia que o cosmos se desintegrasse. Tinha um grau de realidade infinitamente maior que o dos mortais, cuja vida era limitada pela ignorância, pela doença, pelo sofrimento e pela morte. Não se pode defini-lo, porque a linguagem se refere unicamente a seres individuais, e o brahman é "o Todo", é tudo que existe e é o sentido oculto da existência. Também é interessante ver o verbete brahman do glossário elaborado pelo sâncristista Émile Gathier : 1.Deus pessoal, associado a Visnu e Siva na trindade conhecida por Trimurti (v.); 2. princípio de todas as coisas, causa material e eficiente do mundo, substrato universal. O conceito de Deus no hinduísmo é trinitário como se pode ver na trimurti ou a trindade hindu: Brahman-Visnu-Siva. Corresponde a três funções divinas em relação com o mundo: criação, providência, destruição. Suspeita-se que o vaticano tenha assimilado este conceito ao teísmo cristão que alega ser simultaneamente trinitário e unitário (como se fosse possível em lógica uma banana ser simultaneamente uma fruta, um trator e um computador) enquanto o teísmo judaico é apenas unitário. DEUS NO BUDISMO A doutrina de Buda dá ênfase a um moralismo que não deixa de apresentar dificuldades – e são muitas. Acresce que em todas as questões metafísicas o silêncio de Buda nos constrange. Não há dúvida que em face da substância imutável que é Brahman, ele afirmou que tudo é transitório e que nada de substancial existe. Donde, logicamente, nenhuma alma, na realidade, transmigra. A transmigração não é senão a continuidade dos valores: uma boa ação vê sua influência perdurar. O mesmo acontece com uma ação má. Como o budismo em sua pureza rejeita Deus, é só por seus próprios esforços que o homem se liberta e alcança o Nirvana. Mas qual é o sentido profundo desse termo, tantas vezes usado, com e sem propósito? Não se sabe se ele esconde uma aniquilação total; um estado de bem-aventurança que rejeita só os fenômenos mutáveis, inconstantes; ou se não indicará que é mais sensato para o homem deixar-se ficar, pelo menos neste mundo, em cômodo agnosticismo. A solução desses problemas pode deleitar nossa curiosidade, mas não é útil. Quando a casa está em chamas, a gente sai dela o mais depressa possível. Quando alguém está doente, não quer saber qual a natureza última do remédio, e, sim, tomá-lo. (GATHIER, 1996). DEUS NA PSICANÁLISE FREUDIANA Um homem transforma as forças da natureza não simplesmente em pessoas com quem pode associar-se como com seus iguais – pois isso não faria justiça à impressão esmagadora que essas forças causam nele -, mas lhes concede o caráter de um pai. No decorrer do tempo, fizeram-se as primeiras observações de regularidade e conformidade à lei nos fenômenos naturais, e, com isso, as forças da natureza perderam seus traços humanos. O desamparo do homem, porém, permanece e, junto com ele, seu anseio pelo pai e pelos deuses. Estes mantêm sua tríplice missão: exorcizar os terrores da natureza, reconciliar os homens com a crueldade do Destino, particularmente a que é demonstrada na morte, e compensá-los pelos sofrimentos e privações que uma vida civilizada em comum lhes impôs. Assim o governo benevolente de uma Providência divina mitiga nosso temor dos perigos da vida; o estabelecimento de uma ordem moral mundial assegura a realização das exigências de justiça, que com tanta freqüência permaneceram irrealizadas na civilização humana; e o prolongamento da existência terrena numa vida futura fornece a estrutura local e temporal em que essas realizações de desejo se efetuarão. As respostas aos enigmas que tentam a curiosidade do homem, tais como a maneira pela qual o universo começou ou a relação entre corpo e mente, são desenvolvidas em conformidade com as suposições subjacentes a esse sistema. Quando digo que todas essas coisas são ilusões, devo definir o significado da palavra. Uma ilusão não é a mesma coisa que um erro; tampouco é necessariamente um erro. A crença de Aristóteles de que os insetos se desenvolvem do esterco (crença a que as pessoas ignorantes ainda se aferram) era um erro; assim como a crença de uma geração anterior de médicos de que a tabes dorsalis constitui resultado de excessos sexuais. Seria incorreto chamar esses erros de ilusões. Por outro lado, foi uma ilusão de Colombo acreditar que descobriu um novo caminho marítimo para as Índias. O papel desempenhado por seu desejo nesse erro é bastante claro. Pode-se descrever como ilusão a asserção feita por certos nacionalistas de que a raça indo-germânica é a única capaz de civilização, ou a crença, que só foi destruída pela psicanálise, de que as crianças são criaturas sem sexualidade. O que é característico das ilusões é o fato de derivarem de desejos humanos. Com respeito a isso, aproximam-se dos delírios psiquiátricos, mas deles diferem também, à parte a estrutura mais complicada dos delírios. No caso destes, enfatizamos como essencial o fato de eles se acharem em contradição com a realidade. As ilusões não precisam ser necessariamente falsas, ou seja, irrealizáveis ou em contradição com a realidade. Por exemplo, uma moça de classe média pode ter a ilusão de que um príncipe aparecerá e se casará com ela. Isso é possível, e certos casos assim já ocorreram. Que o Messias chegue e funde uma idade de ouro é muito menos provável. Classificar-se essa crença como ilusão ou como algo análogo a um delírio dependerá da própria atitude pessoal. Exemplos de ilusões que mostraram ser verdadeiras não são fáceis de encontrar, mas a ilusão dos alquimistas de que todos os metais podiam ser transformados em ouro poderia ser um deles. O desejo de possuir uma grande quantidade de ouro, tanto ouro quanto possível, foi, é verdade, em grande parte arrefecido por nosso conhecimento atual dos fatores determinantes da riqueza, mas a química não mais encara a transmutação dos metais em ouro como impossível. Podemos, portanto, chamar uma crença de ilusão quando uma realização de desejo constitui fator proeminente em sua motivação e, assim procedendo, desprezamos suas relações com a realidade, tal como a própria ilusão não dá valor à verificação. Os enigmas do universo só lentamente se revelam à nossa investigação; existem muitas questões a que a ciência atualmente não pode dar resposta. Mas o trabalho científico constitui a única estrada que nos pode levar a um conhecimento da realidade externa a nós mesmos. Assim, a religião seria a neurose obsessiva universal da humanidade; tal como a neurose obsessiva das crianças, ela surgiu do complexo de Édipo, do relacionamento com o pai. A ser correta essa conceituação, o afastamento da religião está fadado a ocorrer com a fatal inevitabilidade de um processo de crescimento, e nos encontramos exatamente nessa junção, no meio dessa fase de desenvolvimento. E harmoniza-se bem com isso o fato de os crentes devotos serem em alto grau salvaguardados do risco de certas enfermidades neuróticas; sua aceitação da neurose universal poupa-lhes o trabalho de elaborar uma neurose pessoal. Terão de admitir para si mesmos toda a extensão de seu desamparo e insignificância na maquinaria do universo; não podem mais ser [os homens] o centro da criação, o objeto de terno cuidado por parte de uma Providência beneficente. Estarão na mesma posição de uma criança que abandonou a casa paterna, onde se achava tão bem instalada e tão confortável. Mas não há dúvida de que o infantilismo está destinado a ser superado. Os homens não podem permanecer crianças para sempre; têm de, por fim, sair para a ‘vida hostil’. Podemos chamar isso de ‘educação para a realidade‘. […]impõe-se a idéia de que a religião é comparável a uma neurose da infância, e é otimista bastante para imaginar que a humanidade superará essa fase neurótica, tal como muitas crianças evolvem de suas neuroses semelhantes. Sigmundo Freud in: O Futuro de uma Ilusão O Criador da Psicanálise aborda o fenômeno religioso em várias de suas obras. Mas em 1927 com a publicação de O Futuro de uma ilusão o psiquiatra austríaco pensou ter dado sua palavra final acerca das idéias religiosas. A despeito de Freud ser judeu secular, o mesmo não tinha uma reverência pelo Deus teísta de Moisés ou pelos deuses primitivos. E os via como uma espécie de neurose univesal motivada pela ansiedade do homem frente a inclemência da natureza. Deste modo, o religioso para Freud era um neurótico e um delirante. Mas nos anos 20 Freud profetizava um futuro sem religião, com o advento do mundo da técnica e do cientificismo, que teóricos como Max Horkheimer chamaram prontamente de razão instrumental nos anos quarenta. Hoje como se vê nos trabalhos de um pensador como o italiano Gianni Vattimo - intérprete da pós-modernidade -é que a hipótese de Freud não se confirmou. Haveria no entendimento vattiminiano um retorno do sagrado com a deflagração de novos religares: como a new age e o sucesso dos neo-pentecoslismos. DEUS NO ATEÍSMO DE MIKHAIL BAKUNIN O anarquista russo - na sua obra Deus e o Estado – extremamente iconoclasta concebe Deus como um tirano, opressor, que se existisse precisaria ser abolido. DEUS EM MIRCEA ELIADE Na obra do historiador romeno Mircea Eliade a Religião aparece como o numinoso . O universo seria numinoso ou sagrado. E segundo ele, o espiritualista tende a sacralizar o universo, enquanto o materialista tende a profaná-lo. O filósofo francês Michel Onfray fornece um esquema interessante para entender a questão. Segundo ele, o materialista afirma: -sou feito de átomos, enquanto o espiritualista afirma: -sou feito de alma. DEUS EM RICHARD DAWKINS Richard Dawkins, o ilustre biólogo evolucionista, é tido pela crítica como líder do movimento neo-ateísta . Na obra de 520 páginas, Dawkins afirma categoricamente que além de Deus não existir, a religião é nociva à humanidade, por ser geradora de guerras, ataques terroristas e outras insustentabilidades. Segundo ele, ninguém precisa de Deus para ter princípios morais, para fazer o bem, para apreciar a natureza. O livro propõe o orgulho ateu, assim como existe o orgulho gay. CONSIDERAÇÕES FINAIS Feito originalmente para ser discutido numa oficina de afro-religiosidade numa formação de professores este breve estudo não teve a intenção de esgotar o assunto. Reconhece que muitas concepções ficaram de fora como a de Marx, a de Nietzsche, de Debord a e a de Jung, entre outros (a lista é quase interminável na história da Filosofia). A minha concepção atual é de que não há um Deus pessoal ou um criador do universo. Contudo, conversando com o economista Fábio Sobral o mesmo ponderou que há o ein sof. Que é como os cabalistas se referem ao imponderável, ao incomensurável. E eu tive de ouvir isto numa fase de descrença e dúvida. Talvez minha concepção tente juntar elementos dos cultos de matriz afrodescendente com a espiritualidade naturalizada de Robert C. Solomon

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