sexta-feira, 27 de junho de 2014
SE OS PRATICANTES DE RITOS NEGROS SÃO REALMENTE MINORIA, COMO OS TERREIROS CONTINUAM PAGANDO CONTAS?
INTRODUÇÃO
O autor começa contextualizando de onde parte seu capítulo: os dados do IBGE referente aos dados do CENSO 2000 acerca do pertencimento religioso.
O autor chama a atenção pela quantidade de categorias adotadas pelo IBGE, mas não entra em considerações se estas categorias (144) são auto-classificadas ou hetero-classificadas.
Giambelli quer convencer o leitor que o vocabulário que a se refere a maiorias e minorias religiosas carregam em si pressupostos e implicações.
Ele afirma que num cenário em que em que muito se discute os resultados das estatísticas religiosas, seu objetivo é provocar uma reflexão focada nos significados da própria quantificação, tendo como plano imediato de observação as feições mais gerais do campo religioso brasileiro.
1. PARA DESBANALIZAR A NOÇÃO DE MINORIA
O autor reflete que a noção de minoria não é apenas uma referência estatística.
Depois de uma farta exemplificação baseada no filósofo político M. Walzer da qual destaco a noção mais próxima da República brasileira, de Estado-nações, cujo fundamento político reside idealmente no princípio, criando uma assimetria entre os indivíduos em função de seus pertencimentos coletivos. Ou como ilustra o autor:
Um grupo dominante único organiza a vida comum de acordo com sua história e sua cultura própria, tendo por fim, na melhor das condições, reproduzir essa história, pereniza essa cultura.
Para o autor a Modernidade institui uma espécie de individualismo como fundamento religioso.
O estado moderno relega para o privado a esfera religiosa, já que se pressupõe que a esfera pública é ou tende a ser laicizante ou secularizante.
Guiambelli se vale de uma farta demonstração sobre o Estado indiano e seu jogo de cintura com o Islã, que é presumidamente uma minoria religiosa na Índia.
2. BRASIL SEM MINORIAS
Giambelli começa esta seção chamando a atenção para a questão peculiar do campo religioso brasileiro. Segundo ele, a história brasileira traduziria sinais da pluralidade religiosa – nem mesmo quando cláusulas políticas previam que apenas o catolicismo fosse cultuado nessas terras. Para ele, o vocabulário derivado da noção de maioria e minoria nunca se tornou dominante ou mesmo recorrente para demarcar essa pluralidade.
Para a Igreja Católica no Brasil não é maioria, mas sim totalidade.
Segundo sua historiografia a Igreja Católica precedeu aos brasileiros ao ser ela uma das forças e dos motivos da colonização – e que, proclamada a independência, foi ratificada como religião oficial.
No Brasil república foi estabelecida a laicidade do Estado em 1889, a Igreja Católica reivindicou estar ao lado da “nação”. A consequência mais visível foi a presença de suas instituições e de seus símbolos em espaços públicos , algo que depois de 1930, foi apoiado e desejado pelos poderes centrais, caracterizando uma situação que já foi chamada de “neocristandade”.
E no período da Ditadura Militar a Igreja Católica teria, segundo o autor, entrado em rota de colisão com os governos militares, pois seria do lado do “povo” que a mesma Igreja pretendia estar.
Cada uma dessas imagens alimentou a ideia do “Brasil católico”, que temos ainda hoje tantas marcas e manifestações.
O pluralismo interno ao catolicismo, derivado de acomodações históricas, às vezes propiciadas pelas práticas, quase sempre negadas no plano das discussões coexistia a um pluralismo externo, por conta de movimentos que escapavam do controle clerical, mas que não raramente tramavam com o catolicismo um jogo complexo de complementaridade.
O preço do inclusivismo está no fato, de que as alternativas ao catolicismo, se existentes, deveriam ser subordinadas a este.
Guiambelli cita o caso do que chamou genericamente de “religiões mediúnicas”. Enquanto no catolicismo é possível “ser sem participar”, nas religiões mediúnicas é mais comum “participar sem ser”. Por razões próprias à configuração dessas religiões, mas também por uma relação visceral com o catolicismo. Segundo ele esta relação faz com que elas não se assumam um contorno claro e nítido.
Eu concordo com Guiambelli até certo ponto. Pelo menos baseado na minha pesquisa de campo nos terreiros de matriz africana e centros espíritas kardecistas da Região Metropolitana de Fortaleza. Embora deva admitir que minha amostragem de casas e templos não é exaustiva.
Os centros espíritas kardecistas que visitei ou frequentei tem cancioneiros baseados no hinário católico, entre outras práticas cotidianas contaminadas pelo ideário católico.
Já no continuum afro-brasileiro os templos que conheço que vamos conceituar por uma questão metodológica de templos umbandistas: a contaminação católica é mais visível.
No Terreiro Tranca-Rua das Almas no João XXIII (Mãe Mazé e Pai Clauber) se inicia a gira com um pai-nosso bíblico e uma ave-maria católica. Uma preta-velha incorporada na coroa do pai-de-santo da casa (Pai Clauber) recomendou após um banho de folha de angola, que eu acendesse uma vela branca para o meu anjo de guarda e rezasse um terço. Isso mesmo: rezar um terço.
Esta tenda umbandista tem um compartimento em que eles julgam praticar uma mesa branca kardecista e lá há várias fotografias de santos católicos.
Quando a doutrinadora da mesa branca (Mãe Mazé) doutrina os espíritos sofredores ela cita Allan Kardec, Bezerra de Menezes, Santo Ambrósio e São Vicente de Paula com muita naturalidade.
O mesmo eu vi em mais três terreiros de rito “umbandista” do bairro João XXIII.
Eu discordo do autor quando se fala do candomblé do rito keto, o rito menos ocidentalizado dessas, vamos dizer, religiões mediúnicas.
Minha observação é baseada em campo frequentei durante algum tempo o Ilê Asé Omo Tife no Jangurussú e agora frequento o Ilê Asé Ya Omi Arin Ma Sun, em Mucunã, zona rural do município de Maracanaú na Região Metropolitana de Fortaleza.
Quanto à debilidade política eu também discordo, é lógico que o campo das religiões tradicionais de terreiro não tem a mesma visibilidade ou verba institucional do campo pentecostal brasileiro, mas há esforços no Brasil de organizar o povo do axé. Há no sudeste um esforço em torno de construir uma coalização suprapartidária chamada “Guerreiros do Axé” do qual o sacerdote e vereador Pai Guimarães é o chefe.
Também são dignas de registro duas coalizões digitais em nível de rede, que tenta articular diferente da tradição piramidal das federações de umbanda herdadas da década de 1940 e 1950, que são a: REDE AFRO-BRASILEIRA SÓCIO CULTURAL liderada pelo babalorixá Pai Alex de Brasília e a RBU- REDE BRASILEIRA DE UMBANDA representada pelo sacerdote e escritor umbandista de Santos/SP Manoel Lopes.
As duas redes não têm caráter deliberativo, mas caráter consultivo.
Concordo com Giambelli quando afirma a notória influência cultural desses ritos na sociedade brasileira.
Giambelli procura contextualizar se os segmentos de neo-esoterismo, misticismo e “Nova Era” exibem uma fragilidade identitária ou não.
Depois o autor faz uma contextualização historiográfica para saber se se pode falar em “minoria evangélica” no Brasil.
E para ele, ao contrário, das religiões mediúnicas, os evangélicos tem representação política desde a década de 1930 e nos anos 1980 pode-se falar em “bancadas evangélicas”.
Giambelli concebe a metáfora do mosaico para entender o campo religioso brasileiro, pois o esforço de entendê-lo como algo traduzível em uma tabela com maioria e minoria é inútil, posto que segundo o autor houvesse muitos centros de referência.
3. AS MINORIAS NO FUTURO?
O autor através da documentação historiográfica faz um levantamento de quanto o quesito religião passou a ser um quesito censitário no Brasil.
Depois Giambelli parece falar apenas de uma realidade que ele conhece mais de perto: a realidade carioca.
Citando a polêmica da lei que estipula o ensino religioso no Estado do Rio de Janeiro. Conclui que as religiões não hegemônicas reivindicaram um programa “interconfessional” ou “ecumênico”, que prescindiu da divisão de alunos, professores e currículos.
4. CONCLUSÃO
Esta resenha teve como propósito debate a pertinência da noção de maioria ou minoria religiosa em relação ao campo religioso brasileiro.
Emerson Giambelli recortou o assunto falando por fim da realidade carioca que ele conhece de perto. E eu ilustrei com dados não conclusivos da realidade metropolitana de Fortaleza no Estado do Ceará.
Eu não sei se a pesquisa quantitativa é a melhor maneira de fazer um retrato religioso do Brasil.
Se as religiões mediúnicas ou os ritos de matriz africana são tão minoritários como fazem crer o censo de 2010 do IBGE comentado por Reginaldo Prandi, por que há tantos terreiros? Como eles se mantêm? Paga Aluguel, água, luz, telefone, gás? Ou como na reflexão do historiador negro Wilson do Nascimento Barbosa conseguem fiador para imóveis grandes?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ABBAGNANO, Nícola. Dicionário de Filosofia – [tradução da 1ª edição brasileira e coordenada por Alfredo Bosi; revisão da tradução e tradução dos novos textos Ivone Castilho Benedetti] – 5ª ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2007.
ABRAHÃO, J. R. R.A Gnose afro-americana e o candomblé gnóstico: uma visão moderna dos cultos afro e de suas potencialidades mágicas – s/d. Mimeo
ADOLFO, Sérgio Paulo.Candomblé bantu na pós-modernidade –s/d. Mimeo.
ADORNO, Theodor W; HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento: Fragmentos filosóficos – s/d. Mimeo.
African Folklore: An Encyclopedia - Philip M.Peek and Kwesi Yankah, Editors –Routledge - New York London
AGIER, Michel. As Mães Pretas do Ilê Aiyê:nota sobre o espaço mediano de cultura. In: AFRO-ÁSIA, 18 (1996).
AGUESSY, Honorat. Visões e percepções das culturas africanas. In: Introdução à cultura africana. Lisboa: Edições 70, 1977.
AGUIAR, Helvânia Ferreira. Informação, Pós-Modernidade e Espetáculo: Breve Análise sobre a Temática Religiosa nas Páginas de Superinteressante –s/d. Mimeo.
AHARONI. Yohanan et al..Atlas Bíblico - Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1999.
ALBERTI. Verena, PEREIRA, Amilcar Araujo. Histórias do movimento negro no Brasil: depoimentos ao CPDOC – Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV,2007.
ALMEIDA, R.BARBOSA, R. Transmissão religiosa nos domicílios brasileiros. In: TEIXEIRA e MENEZES(org). Religiões em Movimento. Petropólis: Vozes, 2013.
ALVA, A. de. Exu: gênio do bem e do mal - Rio de Janeiro: Editora Espiritualista, s.d.
ALVA, Antonio de. Trabalhos práticos de magia-negra– 2ª edição – Rio de Janeiro: A. C. Fernandes Editor, 1984.
AMARAL, Adilson Rogério do. As Transformações de Obaluaê no Brasil - São Paulo, 2008. Mimeo.
Anápolis, 2006. 33p. Artigo Final - Curso de Formação Docente em História e Cultura Africanas e Afro-Americanas, Universidade Estadual de Goiás
ANGROSINO, Michael. Etnografia e observação participante – [tradução: José Fonseca; consultoria, supervisão e revisão desta edição Bernardo Lewgoy] – Porto Alegre: Artmed, 2009.
Apostila do curso de introdução ao estudo do oráculo de Ifá –, s/d. Mimeo
APPIAH, Kwame Anthony. Na casa de meu pai: A África na filosofia da cultura. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
AREDA, Felipe. Exu e a reescrita do mundo – In: Revista África e Africanidades - Ano I - n. 1 – Maio. 2008
ARMSTRONG, Karen. A Bíblia: uma biografia – [tradução: Maria Luiza X. de A. Borges] – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.
ARMSTRONG, Karen. Em Defesa de Deus: o que a religião realmente significa – [tradução: Hildegard Feist] – São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
ARMSTRONG. Karen. Uma história de Deus: Quatro milênios de busca do judaísmo, cristianismo e islamismo – São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
ARROYO, Stephen. Astrologia Prática e Profissão: Reencontrando nossas ligações perdidas com o cosmos – [tradução: Adail Ubirajara Sobral] – 10ª ed. - São Paulo: Pensamento, 1995.
ATHAYDE, Johildo Lopes. Importância da História da África negra –s/d. Mimeo.
AZEVÊDO, Eliane. Raça: Conceito e preconceito – São Paulo: Ática, 1987.
BA, Amadou Hampâté. A educação tradicional na África. In:THOT n. 64, 1997
BACELAR, Jeferson, CAROSO, Carlos (org.). Brasil, um país de Negros?- 2ª ed.- Rio de Janeiro: Pallas; Salvador, BA: CEAO, 2007.
BACELAR, Jeferson. Mário Gusmão: Uma estrela negra nos céus da Bahia – In: JUNIOR, Roberto Dalbert; PEREIRA, Edimilson de Almeida[org.]. No Berço da Noite: Religião e arte em encenações de subjetividades afrodescendentes – Juiz de Fora: MAMM Ed., 2012. pp.19-38
BAKUNIN, Mikhail.Deus e o Estado- s/d. mimeo.
BANDEIRA, Luís Cláudio Cardoso. Tem Exu do lado de lá, mas também tem Exu do lado de cá: O Candomblé e a Umbanda em Portugal- In: Anais V Simpósio Internacional do Centro de Estudos do Caribe no Brasil
BANDEIRA. Luís Cláudio Cardoso. Africanidades e Diásporas religiosas: O candomblé no Ceará– In: Revista Historiar -Universidade Estadual Vale do Acaraú – v.4. n. 4 (jan./jun. 2011).Sobral-CE: UVA, 2010.
BARBOSA, Rogério Andrade. O segredo das tranças e outras histórias africanas – São Paulo: Scipione, 2007.
BARBOSA, Wilson do Nascimento. Da `Nbandla à Umbanda: Transformações na Cultura Afro-Brasileira-In: SANKOFA - Revista de História da África e de Estudos da Diáspora Africana/São Paulo, Núcleo de Estudos de África, Colonialidade e Cultura Política – Número I, Ano I, Junho de 2008. São Paulo, NEACP, 2008
BARBOSA, Wilson do Nascimento. Dossiê – II Seminário Sankofa “Descolonização e Racismo: atualidade e crítica” “Neocolonialismo: Um Conceito Atual?” - In:In:Sankofa. Revista de História da África e de Estudos da Diáspora Africana Ano IV, Nº 8, Dezembro/2011
BARBOSA, Wilson do Nascimento. Kabwaru (Kahweru), O (Círculo) de Nossa Gente – In: O Caminho do Negro no Brasil São Paulo, 1999. Mimeo.
BARBOSA, Wilson do Nascimento. O ‘Nganga: A Origem e o Poder do Pai-de-Santo – In: O Caminho do Negro no Brasil São Paulo, 1999 Mimeo.
BARBOSA, Wilson do Nascimento. Recorrência Afro-religiosa – s/d. Mimeo.
BARCELLOS, Mario Cesar. Os orixás e a personalidade humana - 4ª edição - Rio de Janeiro: Pallas, 2007.
BARROS, Rui Sá Silva Tomando o céu de assalto: Esoterismo, ciência e sociedade 1848-1914: França, Inglaterra e EUA –. s/d. Mimeo
BARTH, Wilmar Luiz. O Homem Pós-Moderno, Religião e Ética –In Teocomunicação Porto Alegre v. 37 n. 155 p. 89-108 mar. 2007
BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil: Contribuição a uma Sociologia das Interpenetrações de Civilizações – Segundo Volume – [tradução: Maria Eloisa Capellato e Olívia Krähenbühl] – São Paulo: Livraria Pioneira Editora: Edusp, 1971.
BASTIDE, Roger. O Candomblé da Bahia (Rito Nagô). Trad. Maria Isaura Pereira de Queiroz. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1961.
BASTIDE, Roger. O sagrado selvagem e outros ensaios – [tradução: Dorothée de Bruchard] – São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
BASTIDE, Roger. Religiões Africanas e Estruturas de Civilização. In: II Congresso Internacional de Africanistas, realizado em Dakar, Dezembro de 1967.
BASTOS, Ivana Silva. A visão do Feminino nas Religiões Afro-brasileiras. In: CAOS – Revista Eletrônica de Ciências Sociais – Número 14 – Setembro de 2009 – Pág. 156-165.
BENISTE, José. Orun - Aiyé: O encontro de dois mundos: o sistema de relacionamento nagô-yorubá entre o céu e a Terra - 5ª edição - Rio de Janeiro : Bertrand Brasil,2006.
Bíblia de Jerusalém – [coordenadores da edição em língua portuguesa: GORGULHO, Gilberto da Silva; STORNIOLO, Ivo; ANDERSON, Ana Flora] - São Paulo: Paulus, 2002.
BIRCHAL, Fabiano Fernandes Serrano. Nova era: uma manifestação de fé da contemporaneidade. In: Horizonte: Belo Horizonte, v. 5, n. 9, p. 97-105, dez. 2006
BIRMAN, P. O que é umbanda, São Paulo, Abril Cultural, Brasiliense. 1985
BONDER, Nilton. Sobre Deus e o sempre – Rio de Janeiro: Campus, 2003.
BORRILO, Daniel. Homofobia: história e crítica de um preconceito - [ tradução de Guilherme João de Freitas Teixeira] – Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010
BOTAS, Paulo Cezar Loureiro. Carne do Sagrado. Edun Ara: devaneios sobre a espiritualidade dos orixás - Petrópolis: Koinonia Presença Ecumênica e Serviço/Vozes, 1996.
BOURBON, Carlos Antonio de; MONTENEGRO, Galdiano. The quimbanda goetia: Afro-brazilian Magic spells & rituals - s/d. Mimeo.
BRAGA, Júlio. A cadeira de Ogã e outros ensaios. Rio de Janeiro: Pallas, 2005.
BRAGA, Julio. Candomblé da Bahia: repressão e resistência – (Mimeo.) s/d.
BRANCO, Samuel Murgel. Evolução das Espécies: o pensamento científico, religioso e filosófico– 2ª ediçao reform. - São Paulo: Moderna, 2004.
BRENMAN, Ilan. África – [ilustrações: Fernando Vilela] – São Paulo: Moderna, 2008.
BRÜGGER, Silva Maria Jardim. Clara Nunes e as Religiões Afro-brasileiras – In: JUNIOR, Roberto Dalbert; PEREIRA, Edimilson de Almeida[org.]. No Berço da Noite: Religião e arte em encenações de subjetividades afrodescendentes – Juiz de Fora: MAMM Ed., 2012. pp. 167-200
BUBER, Martin. Eclipse de Deus: Considerações sobre a relação entre religião e filosofia – [tradução: Carlos Almeida Pereira] – Campinas: Verus Editora, 2007.
BUDGE, E.A. Wallis. A religião egípcia - São Paulo: Cultrix, 1990
BYINGTON, Carlos Amadeu Botelho. O Sincretismo do Diabo e de Exu e o Arquétipo da Alteridade: Um Estudo da Psicologia Simbólica Junguiana – In: XVII Congresso da IAAP, Cidade do Cabo, agosto de 2007
CAMPBELL, Joseph. Isto és tu: Redimensionando a metáfora religiosa– [Tradução: Bini] – São Paulo: Landy, 2002.
CAMPBELL, Joseph. Mitos, sonhos e religião: nas artes, na filosofia e na vida contemporânea – [tradução de Angela Lobo de Andrade e Bali Lobo de Andrade] ― Rio de Janeiro: Ediouro, 2001
CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces – [ tradução: Adail Ubirajara Sobral] – 10ª edição – São Paulo: Pensamento, 1997.
CAMPBELL, Joseph. O poder do mito– Org. Betty Sue Flowers – [tradução: Carlos Felipe Moisés] – São Paulo: Palas Athenas, 1990.
CAMPOS, Zuleica Dantas Pereira. A Polícia no Estado Novo combatendo o Catimbó– In: Revista Brasileira de História das Religiões – Ano I, n. 3, Jan. 2009 - Dossiê Tolerância e Intolerância nas manifestações religiosas
CARDOSO, Gleudson Passos. As repúblicas das letras cearenses: literatura, imprensa e política (1873 – 1904). 2000. Dissertação de Mestrado – Pontíficia Universidade Católica, São Paulo.
CARDOSO, Vânia Z. Os Afetos da Descrença– In: Antropologia em primeira mão / Programa de Pós Graduação em Antropologia Social, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis : UFSC / Programa de Pós Graduação em Antropologia Social, 2009 – v. 114
CARDOSO, Vânia Zikán. Narrar o mundo: estórias do “povo da rua” e a narração do imprevisível- In: MANA 13(2): 317-345, 2007
CARNEIRO, Édison. Capoeira. In: Cadernos de Folclore Nº1 – Ministério da Educação e Cultura – FUNARTE.
Cartas de Pierre Verger para Vivaldo da Costa Lima (1961-1963). In: AFRO-ÁSIA, 37(2007).
CARVALHO, José Jorde de. O olhar etnográfico e a voz subalterna. In: Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 4, n. 8, p. 182 - 198, junho de 1998
CARVALHO, José Jorge de. A religião como sistema simbólico: uma atualização teórica -, Brasília, 2000. Mimeo.
CARVALHO, José Jorge de. A Tradição Mística Afro-Brasileira- In: Revista Religião e Sociedade, Vol. 18, No. 2, maio de 1998
CARVALHO, José Jorge de. Poder e Silenciamento na Representação Etnográfica – In: Série Antropologia – Departamento de Antropologia – Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Brasília, Brasília, 2002.
CARVALHO, José Jorge. Uma visão antropológica do esoterismo e uma visão esotérica da antropologia - Brasília, 2006. Mimeo
CASQUEIRO, Manuel. Muzungu Pululu: homem branco transparente – Fortaleza: Armazém da Cultura, 2011
CASTRO, Yêda Pessoa de. Antropologia e Lingüística nos estudos afro-brasileiros –. s/d. Mimeo
CISALPINO, Murilo. Religiões – São Paulo: Editora Scipione, 1994.
CONCEIÇAO, José Maria Nunes Pereira. África um novo olhar – 1. ed. – Rio de Janeiro: CEAP, 2006.
CORÇÃO, Marcelo. O diabo no subúrbio. In Planeta – São Paulo, Novembro de 1973 – Nº 15 Editora Três
CORREIA, Ana Karina de Sousa. A influência dos chakras nos aspectos psicológicos e fisiológicos do ser humano – Fortaleza: Fundação Edson Queiroz: Universidade de Fortaleza, 2007.
CORSI. Gina Amoroso, MOURA, Cristina Dias de. SILVA, Vagner Gonçalves da et al. Intolerância religiosa: impactos do neopentecostalismo no campo religioso afro-brasileiro. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2007, 323 p., ISBN 978-85-314-1022-2 – In: REVER - Revista de Estudos da Religião dezembro / 2008 / pp. 149-154
COSTA (Org.), Nelson Barros da. Práticas discursivas: Exercícios analíticos – Campinas: Pontes Editores, 2005.
COSTA, Haroldo. Fala, crioulo! : o que é ser negro no Brasil - 3ª ed. revista e ampliada: Record, 2009.
COSTA, Valdeli Carvalho da.Alguns marcos na evolução histórica de Exu na Umbanda do Rio de Janeiro –. s/d. Mimeo
COSTA, Valdeli Carvalho da.Umbanda - Os "Seres Superiores" e os orixás/santos: um estudo sobre a fenomenologia do sincretismo umbandístico na perspectiva da Teologia Católica- São Paulo: Edições Loyola, 1983.
CUCHE, Denis. Cultura e identidade. In: CUCHE, Denis.A noção de cultura nas ciências sociais – Tradução: Viviane Ribeiro – Bauru: Edusc, 1999.
CUNHA, Carolina. Elegua e a sagrada semente de cola-São Paulo: Edições SM, 2007.
CUNNINGHAM, Scott. Vivendo a Wicca: guia avançado para o bruxo solitário – [tradução: Marcelo Giusepp Lechinski] – São Paulo: Gaia, 2002.
DANDARA E ZECA LIGIÉRO. Iniciação à umbanda - Rio de Janeiro: Nova Era, 2000.
DAWKINS, Richard. Deus, um Delírio – Tradução de Fernanda Ravagnani – São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
DE TEMPO, Robson. O jogo de búzios na tradição do candomblé Angola - Rio de Janeiro: Pallas, 2008.
diabólico de Exu - Dos primeiros contatos na África ao discurso inquisitorial da IURD.
DIAS, João Ferreira. Pensar Deus em África: Um problema de conceitos e mudanças – In: Sankofa. Revista de História da África e de Estudos da Diáspora Africana Ano IV, Nº 8, Dezembro/2011
Dictionary of Deities and Demons in the Bible - Edited by Karel van der Toom, Bob Becking Pieter W. van der Horst – Second Extensively Revised Editon – Boston: Wiliam B. Eerdmans Publishing Company Grand Rapids, Michigan/ Cambridge, UK, 1999
DIDIER, Aluísio. Radamés Gnattali – Rio de Janeiro: Brasiliana Produções, 1996.
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana - Brasília: MEC:SEPPIR, 2004.
DOCTOROW, E. L. Deus – um fracasso amoroso – [tradução de Robero Muggiati – Rio de Janeiro: Record, 2003.
Documentos - Revista do Arquivo Público do Estado do Ceará: Afro-brasileiro: história e educação/Arquivo Público do Estado do Ceará.Fortaleza, v.7 – 2009.
DOMINGUES, Petrônio. A negritude brasileira na era global –s/d. Mimeo.
DUBOIS, Jean; MATHÉE, Giacomo, GUESPIN, Louis; MARCELLESI, Christiane; MARCHELLESI, Jean- Batiste; MEVEL, Jean-Pierre. Dicionário de Linguística – [Direção e coordenação geral da tradução: Izidoro Blikstein] – 10ª edição – São Paulo: Cultrix, 1998.
Cadernos IHU em Formação: A grande transformação no campo brasileiro Ano VIII nº 43 2012
DURKHEIM, Émile. As formas elementares de vida religiosa: o sistema totêmico na Austrália – [tradução: Paulo Neves] – São Paulo: Martins Fontes, 1996.
DUROZOI, Gérard. Dicionário de Filosofia. Campinas, SP: Papirus, 1993.
EDUCAÇÃO-AFRICANIDADES- Brasília: Centro de Educação à Distância - UNB, 2006.
ELIADE, Mircea. Imagens e Símbolos – [tradução: Maria Adozinda Oliveira Soares] – Lisboa: Arcadia, 1979
ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano: a essência das religiões – 2ª edição – São Paulo: Martins Fontes.2008.
Encyclopedia of African religion/ editors, Molefi Kete Asante, Ama Mazama. - 2009 by SAGE Publications, Inc.
Entrevista com Pai Pedro – In: Revista Kàwé 1. Ilhéus, BA: Editus, 2000. p. 21-31
Entrevista: Kabengele Munanga: “África e Imagens de África”- In: Sankofa. Revista de História da África e de Estudos da Diáspora Africana Nº 1 jun./2008
Entrevista: Wilson do Nascimento Barbosa: “História, Cultura Negra e Luta Antirracista no Brasil”- In: Sankofa. Revista de História da África e de Estudos da Diáspora Africana Ano III, Nº 6, Dezembro/2010
EPEGA, Sandra Soleye Medeiros. Ewé Njé Folhas Funcionam. In: Revista USP , São Paulo ( 2 9 ) : 1 6 6 - 1 7 3, março /maio, 1 9 9 6
Estatuto da Igualdade Racial – Lei nº 12.288, de 20 de Julho de 2010 – In: Presidência da República/Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR/PR: Brasília, 2010.
FAITANIN, Paulo. Big-Bang: um olhar metafísico sobre a origem do universo! - In: AQUINATE, n°2, (2006), 403-407
FARIAS, Luiz Leno de. Religiões Afrobrasileiras: História e Memória em Fortaleza–Fortaleza, s/d. Mimeo.
FARIAS, P. F. de Moraes Afrocentrismo: Entre uma contranarrativa histórica universalista e o relativismo cultural –In: Afro-Ásia, 29/30 (2003), 317-343
FARIAS, Paulo Fernando de Morais. Enquanto isso, do outro lado do mar... os arokin e a identidade ioruba –, s/d. Mimeo.
FAVRET-SAADA, J. Ser afetado. Caderno de Campo. Nº13. São Paulo: USP, 2005.
FERNANDES, Alexandre de Oliveira. Notas para uma Leitura Derridiana de Exu – In: Palimpsesto Nº 12 | Ano 10 | 2011 | Estudos (2)
FERNANDES, Florestan. O negro no mundo dos brancos - [apresentação de Lilia Moritz Schwarcz] - 2ª ed. revista - São Paulo: Global, 2007.
FERREIRA, J. Flávio.VIEIRA, Fernanda Maria.Incorporando Exú: a (in)versão colonial na demarcação / dominação do Outro.In: periferia Número 15, diciembre 2011 www.periferia.name
FILHO, Aulo Barretti. A imortalidade Yorùbá nos Candomblés Kétu –s/d. Mimeo.
FONSECA, Maria Nazareth Soares (org.) Brasil afro-brasileiro – 3ª ed. - Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010.
FORTY, Conceição. Tarô dos Orixás - Porto Alegre: Artha Editora, 2008.
FREUD, Sigmund.O Futuro de uma Ilusão, O mal-estar na civilização e outros trabalhos VOLUME XXI (1927-1931) – (Mimeo.) s/d.
FREYRE, Gilberto. Casa-grande e senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal - 49ª edição - São Paulo: Global, 2004.
FREYRE, Gilberto. Sobrados e Mucambos: Decadência do patriarcado rural e desenvolvimento urbano – 15ª edição – São Paulo: Global, 2004.
FRISVOLD, Nicholaj de Mattos. Kiumbanda: A complete Grammar of the Art of Exu – Chadezoad Publication, s/d.
GAARDER, Jostein. O livro das religiões/ Jostein Gaarder, Victor Hellen, Henry Notaker – [tradução: Isa Mara Lando; revisão técnica e apêndice: Antônio Flávio Pierucci] – São Paulo : Companhia das Letras, 2000.
GASPAR, Eneida Duarte. Tarô dos Orixás - 3ª edição - Rio de Janeiro: Pallas, 2006.
GATHIER, Emile. O pensamento hindu – [tradução de Raul de Sa Barbosa] – Rio de Janeiro: Agir, 1996.
GERBER, Richard. Medicina Vibracional: Uma Medicina para o Futuro – [tradução: Paulo César de Oliveira} – São Paulo: Cultrix, 2007.
GIORDANI, Mario Curtis. História da África: Anterior aos descobrimentos – 5ª edição – Petropólis, RJ: Vozes, 2007.
GOMBRICH, Ernst Hans Josef. A História da Arte – 16ª edição – Rio de Janeiro: LTC, 2000.
GRAEBER, David. Fragmentos de uma antropologia anarquista – [tradução: Coletivo Protopia S. A] – Porto Alegre: Deriva, 2011.
GRAVES, Sue. O que é a Bíblia? : Uma Introdução ao Livro da Fé Cristã – 2ª ed. Revisada – Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004.
GREENE, Liz. Astrologia do Destino – 10 ª edição – Tradução: Carmen Youssef – São Paulo: Cultrix Pensamento, 1995
GREENE, Liz. Os Astros e o Amor – [tradução: Mônica Joseph] – 9ª edição – São Paulo: Cultrix, 1993.
GREENE, Liz. Saturno: un nuevo enfoque de un viejo diablo – Madrid: Ediciones Obelisco, 1998
GREUEL, Sigolf. Religião e religiosidade na pós-modernidade – [manuscrito] Escola Superior de Teologia – Instituto Ecumênico de Pós-graduação Religião e Educação: São Leopoldo, 2008.
GROF, Stanislav, M.D., GROF, Christina (org.).Emergência Espiritual: Crise e Transformação Espiritual - [tradução: Adail Ubirajara Sobral] – 12ª edição – São Paulo: Cultrix, 1997.
GUEDES, Maria Luiza. Pós-Modernidade, Religião e Educação: Desafios epistemológicos - s/d. Mimeo.
GUERRIERO, Silas. A influência da Nova Era nas religiões tradicionais. In: XI Simpósio Nacional da Associação Brasileira de História das Religiões -Sociabilidades religiosas: mitos, ritos e identidades- 25 a 27 de maio de 2009 – Goiânia – UFG – Campus II
GUIMARÃES, Antonio Sergio Alfredo. Resistência e revolta nos anos 60: Abdias do Nascimento. In: Revista USP, São Paulo Nº 68, p.156-167, dezembro/fevereiro 2005- 2006
GULLAR, Ferreira. Etapas da Arte Contemporânea – Rio de Janeiro: Revan, 1998.
HAWKING, Stephen. Breve História do Tempo : Do Big Bang aos Buracos Negros– [tradução:Ribeiro da Fonseca ] - 3ª edição – Lisboa: Gradiva,1994.
HINOSHITA, Alice Mitiko Rocha. Ciência e Espiritualidade: uma análise antropológica das noções de ciência presentes no Espiritismo Kardecista e na Apometria -In: Diálogos do Pet em maio de 2010
História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África/editado por Joseph Ki-Zerbo – 2ª ed. rev. – Brasília: UNESCO, 2010.
História geral da África, II: África antiga / editado por Gamal Mokhtar. – 2.ed. rev. – Brasília : UNESCO, 2010.
História geral da África, IV: África do século XII ao XVI / editado por Djibril Tamsir Niane. – 2.ed. rev. – Brasília : UNESCO, 2010.
História geral da África, VII: África sob dominação colonial, 1880-1935 / editado por Albert Adu Boahen. – 2.ed. rev. – Brasília : UNESCO, 2010.
História geral da África, VIII: África desde 1935 / editado por Ali A. Mazrui e Christophe Wondji. – Brasília : UNESCO, 2010.
HOLANDA, Cristina Rodrigues. Negros no Ceará: história, memória e etnicidade– Fortaleza: Museu do Ceará/Secult/Imopec, 2009.
JUNIOR, Alberto. Jurema e Catimbó: Magia e conhecimento –, s/d. Mimeo.
JUNIOR, Robert Daibert. Luzia Pinta nas margens do rio: travessias entre o catolicismo e as tradições centro-africanas no mundo atlântico – In: JUNIOR, Roberto Dalbert; PEREIRA, Edimilson de Almeida[org.]. No Berço da Noite: Religião e arte em encenações de subjetividades afrodescendentes – Juiz de Fora: MAMM Ed., 2012. pp. 93-118
KELLY, Henry Ansgar. Satã: uma biografia – [tradução de Renato Rezende] – São Paulo: Globo, 2008.
KENTON, Warren. Astrologia Cabalística: anatomia do destino – [tradução: Maio Miranda] – São Paulo: Pensamento, s/d.
KOLAKOWSKI, Leszek. O diabo. In: Religião e Sociedade.Rio de Janeiro: Editora Campus, 1985.Nº12/2
LAGES, Sônia Regina Corrêa. Exu – Luz e Sombras: Uma análise psico-junguiana da linha de Exu na Umbanda – Juiz de Fora: Clio Edições Eletrônicas, 2003.
LAIN, Vanderlei Albino. Encontros para a Nova Consciência: uma experiência religiosa da cultura pós-moderna?- Recife: o autor, 2007.
LARA, Eugênio. Racismo e Espiritismo- In: II Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, de 1991
LELOUP, Jean-Yves.Terapeutas do Deserto: de Fílon de Alexandria e Francisco de Assis a Graf Dürckheim – [tradução Pierre Weil] – Petropólis: Vozes, 1997.
LEMESURIER, Peter. Os Deuses e a Cura: A Magia dos Símbolos e a Prática da Teoterapia – [Tradução: Claudia Gerpe Duarte] – 11ª ed. - São Paulo: Pensamento, 1997.
LIGIÉRO, Zeca. Corpo a Corpo: estudo das performances brasileiras – Rio de Janeiro: Garamond, 2011.
LIMA, Ari. A legitimação do intelectual negro no meio acadêmico brasileiro: Negação de Inferioridade, confronto ou assimilação intelectual? In: Afro-Ásia, 25-26 (2001), 281-312
LIMA, Ivan Costa, NASCIMENTO, Joelma Gentil do (org.). Coleção Formação do Movimento Negro unificado. Trajetórias históricas e práticas pedagógicas da população negra no Ceará – Fortaleza: Imprece, Nº 1, Jan.2009.
LODY, Raul. Candomblé: Religião e resistência cultural – São Paulo: Ática, s\d
LODY, Raul. O povo do santo: Religião, história e cultura dos orixás, voduns, inquices e caboclos – 2ª edição –São Paulo: WMF Martins Fontes, 2006.
LOPES, Nei. A presença africana na música popular brasileira – (Mimeo.) s/d.
LOPES, Nei. Bantos, malês e identidade negra- Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2008.
LOPES, Nei. História e cultura africana e afro-brasileira – São Paulo: Barsa Planeta, 2008.
LOPES, Nei. Kitábu: O livro do saber e do espírito negro-africanos – Rio de Janeiro; Editora Senac Rio, 2005.
LOPES, Nei. Logunedé - 2ª edição - Rio de Janeiro: Pallas, 2002.
LOPES, Nei. O negro no Rio de Janeiro e sua tradição musical: partido alto, calango, chula e outras cantorias – Rio de Janeiro: Pallas, 1992.
LORETO, Nilton Azambuja de. Análise do diálogo inter-religioso entre novaeristas e cristãos na internet: O diálogo como experiência religiosa da Pós-modernidade– [Manuscrito] Universidade Federal de Juiz de Fora – Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião: Juiz de Fora, 2009.
LÜNING, Ângela. O mundo fantástico dos erês –., s/d. Mimeo
LÜNING, Ângela. Pierre Fatumbi Verger e sua obra. In: AFRO-ÁSIA, 21,22(1998-1999).
MACEDO, Edir. Orixás, caboclos & guias: Deuses ou demônios? - Rio de Janeiro: Universal, 2000.
MACHADO, Carly Barbosa. “É muita mistura: projetos religiosos, políticos, sócias e midiáticos de saúde e segurança pública na periferia do Rio de Janeiro. Religião e Sociedade. 33(2) Rio de Janeiro: ISER/UERJ, 2013
MAGNANI, José Guilherme Cantor. Neoesoterismo na metrópole. Trajetórias de pesquisa em Antropologia Urbana. São Paulo: FAPESP/
MALAFAIA, Silas. Criação x Evolução: Quem está com a razão?- Rio de Janeiro: Central Gospel, 2005.
MATOS, Matilde. A Bahia vista por Carybé(1911-1997). In: AFRO-ÁSIA, 29/30(2003).
MAURÍCIO, George. Como fazer você mesmo seu ebó - 4ª edição - Rio de Janeiro: Pallas, 2008.
MEDEIROS, Azize Maria Yared de. Peregrinos pós-modernos: A permanente busca do sagrado no universo da Nova Era– [Manuscrito] Universidade Católica de Goiás – Departamento de Filosofia e Teologia :Goiânia, 2007.
MELO, Rosa Maria Amélia João. A morte, os defuntos e os rituais de “limpeza” no pós-guerra angolano: Quais os caminhos para pôr termo ao luto? - In: Afro-Ásia, 37 (2008), 175-200
MOLINA, N. A. Trabalhos de quimbanda na força de um preto-velho– Rio de Janeiro: Editora Espiritualista. s/d.
MOTT, Luiz.Santa Rosa Egipcíaca: Desventuras de uma mística africana no Brasil Colonial – In: JUNIOR, Roberto Dalbert; PEREIRA, Edimilson de Almeida[org.]. No Berço da Noite: Religião e arte em encenações de subjetividades afrodescendentes – Juiz de Fora: MAMM Ed., 2012. pp.67-91
MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. Candomblé: Religião do Corpo e da Alma: tipos psicológicos nas religiões afro-brasileiras - Rio de Janeiro: Pallas, 2000.
MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. Culto aos orixás, voduns e ancestrais nas religiões afro-brasileiras - Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
MOURA, Roberto. Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro – 2ª edição – Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Dep. Geral de Doc. e Inf. Cultural, Divisão de Editoração, 1995
MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário enciclopédico de astronomia e astronáutica – 2ª ed. – Rio de Janeiro: Lexikon Editora Digital, 2008.
MUNANGA, Kabengele. Negritude: Usos e sentidos – 2ª edição – São Paulo: Ática, 1988.
MUNANGA, Kabengele. O negro no Brasil de hoje/Kabengele Munanga, Nilma Lino Gomes – São Paulo: Global, 2006.
MUNANGA, Kabengele.(org.)Superando o Racismo na escola.- 2ª ed. revisada – [Brasília]: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.
MUSSA, Alberto. Elegbara – Rio de Janeiro: Record, 2005.
MUSSA, Alberto. Meu destino é ser onça: Mito tupinambá restaurado – 2ª ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.
MUSSA, Alberto. O enigma de Qaf– Rio de Janeiro: Record, 2004.
MUSSA, Alberto. O senhor do lado esquerdo – Rio de Janeiro: Record, 2011.
MUSSA, Alberto. O trono da rainha Jinga – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
MUSSA, Alberto. Samba de enredo: história e arte /Alberto Mussa, Luiz Antonio Simas - Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.
NASCIMENTO (ORG.), Elisa Larkin. A matriz africana no mundo - São Paulo: Selo Negro, 2008.
NIETZSCHE, Friedrich. Além do Bem e do Mal: Prelúdio de uma Filosofia do Futuro – [tradução: Antonio Carlos Braga] – São Paulo: Escala, s/d.
NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano – [Tradução: Antonio Carlos Braga] – 3ª edição – São Paulo: Escala, s/d.
NIETZSCHE, Friedrich. O Anticristo: Maldição do Cristianismo – [tradução: Mario Fondelli] – Rio de Janeiro: Fernando Chinaglia Distribuidora, 1996.
NJAMI, Simon. Moçambique: A chegada da fotografia e a sua aquisição pelos próprios africanos. In: Imaginário – USP, Ano X, Nº10, 2004/2005
NOGUEIRA, Carlos Roberto F. O diabo no imaginário cristão – São Paulo: Ática, 1986.
NOGUEIRA, Renato Corrales. A noção de obrigatoriedade na relação entre homens e Orixás no Candomblé.São Paulo:Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2009 (Dissertação de Mestrado)
NOVELLO, Mário. O que é cosmologia?: A revolução do pensamento cosmológico – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006.
NUCCI, Priscila. Odisseu e o abismo: Roger Bastide, as religiões de origem africana e as relações raciais no Brasil – (Mimeo.) s/d.
O pentecostalismo no Brasil, cem anos depois. Uma religião dos pobres: Entrevista com Ricardo Mariano – In: A grande transformação no campo religioso brasileiro – Cadernos IHU em Formação – Ano VIII Nº 43 2012
OLIVEIRA, Arilson S. Roger Bastide e a identidade nagocêntrica –s/d. mimeo
OLIVEIRA, David Eduardo. Cosmovisão Africana no Brasil: elementos para uma filosofia afrodescendente – Curitiba: Editora Gráfica Popular, 2006.
OLIVEIRA, Eloísa Elena Bárbara, AGUILERA, Vanderci de Andrade. Africanismo, Geolíngüística e Lexicografia: Um estudo de convergências e divergências –. s/d. mimeo
OLIVEIRA, Hélio Alves de. O vazio e a vontade de sentido: uma análise da religiosidade pós-moderna– Belo Horizonte, 2010.
OLIVEIRA, Vicente Geraldo Amâncio Diniz. Cultura material, oralidade e simbologia: Existe uma filosofia em África? -In: SCRIPTA, Belo Horizonte, v. 7, n. 13, p. 368-373, 2º sem. 2003
OLIVEIRA, Waldir Freitas. Brancos e Pretos em Angola –, s/d. Mimeo.
ONFRAY, Michel. Tratado de Ateologia:física da metafísica – São Paulo:WMF Martins Fontes., 2007.
ORO, Ari Pedro. Axé Mercosul: As Religiões Afro-brasileiras nos Países do Prata – Petrópolis: Vozes, 1999.
ORO, Ari Pedro. Religião e Mercado no Cone Sul: As Religiões Afro-brasileiras como negócio –s/d. Mimeo.
ORTIZ, Renato.Renato . A Morte Branca do Feiticeiro Negro – Petropólis: Vozes, 1978.
OTTO, Rudof. O Sagrado: os aspectos irracionais na noção do divino e sua relação com o racional – [tradução: Walter O. Schlupp] – São Leopoldo: SINODAL/EST: Petrópolis, Vozes, 2007.
PAPUS. Tratado de Ciências Ocultas(II) – [tradução: Luis Carlos Lisboa] – São Paulo: Editora Três, 1973.
PARES, Luis Nicolau. A Formação do Candomblé: História e Ritual da Nação Jeje na Bahia – Campinas: Editora da UNICAMP, 2006.
PARRINDER, Geoffrey. África - Lisboa/São Paulo: Editorial Verbo, 1987
PASSOS, João Décio. Pentecostalismo e Modernidade: Conceitos Sociológicos e Religião Popular Metropolitana- s/d.Mimeo.
PAULA, Benjamim Xavier. Os Estudos Africanos no contexto das diásporas – In: Revista da ABPN • v. 5, n. 11 • jul.– out. 2013 • p. 131-148
PAULO, Jefter. Acarajé: Da cozinha sagrada à culinária laica. In: Revista África e Africanidades - Ano I - n. 1 – Maio. 2008 - ISSN 1983-2354
Pentecostalismo: mudança do significado de ter religião: Entrevista com Cecilia Loreto Mariz – In: A grande transformação no campo religioso brasileiro – Cadernos IHU em Formação – Ano VIII Nº 43 2012
PÊPE, Suzane Pinho. Feitiçaria: Terminologia e Apropriações – In: Sankofa. Revista de História da África e de Estudos da Diáspora Africana Nº 3 junho/2009
PEREIRA, Amilcar Araújo; MONTEIRO, Ana Maria (org.). Ensino de história e culturas afro-brasileiras e indígenas – Rio de Janeiro: Pallas, 2013.
PEREIRA, Arley. Cartola: Semente de amor sei que sou, desde nascença – São Paulo: SESC, 1998.
PETRUCELLI, José Luis; SABOIA, Ana Lucia [org.] Características étnico-raciais da população: classificações e identidades – Rio de Janeiro: IBGE, 2013.
PIETZ, William. The problem of the fetish, I.-In: Res: Anthropology and Aesthetics, n. 9, pp.5-17, 1985.
PIETZ, Willian. The problem of the fetish, II. The Origin of the Fetish –In: Res: Anthropology and Aesthetics, n. 13, pp. 23-45, 1987
POLLAK-ELTZ, Angelina. Donde Provem os Negros da Amércia do Sul?- s/d. Mimeo.
PONDÉ, Luís Felipe. Do pensamento no deserto: Ensaios de Filosofia, Teologia e Literatura – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009.
PORDEUS JR., Ismael. A magia do trabalho: Macumba cearense e festas de Possessão – Fortaleza: Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Ceará, 1993.
PORDEUS JR., Ismael. Umbanda: Ceará em transe - Fortaleza: Museu do Ceará, 2002.
PRANDI, Reginaldo. As Religiões e a Cultura: Dinâmica religiosa na América Latina. In: Conferência inaugural das XIV Jornadas sobre Alternativas Religiosas na América Latina. Buenos Aires, 25 a 28 de Setembro de 2007.
PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás - São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
PRANDI, Reginaldo. O jogo dos fragmentos africanos: Sobre uma reconstituição da tradição iniciática iorubana do jogo de búzios por meio nada tradicionais ou Um aprendizado quase acadêmico da magia.In: REVISTA USP, s/d. p. 80-91,
PRANDI, Reginaldo. Os candomblés de São Paulo: a velha magia na metrópole nova – São Paulo: HUCITEC : Editora da Universidade de São Paulo, 1991.
PRANDI, Reginaldo. Os príncipes do destino: histórias da mitologia afro-brasileira-2ª edição - São Paulo: Cosacnaify, 2005.
PRANDI, Reginaldo. Segredos guardados: orixás na alma brasileira – São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
QUEIROZ,José J. et al Pós-Modernidade, Linguagem e Religião. Uma Contribuição para a Caracterização das Identidades Religiosas no Panorama Histórico Contemporâneo In: Revista Brasileira de História das Religiões – Ano I, no. 1 – Dossiê Identidades Religiosas e História.
RAMATIS[Espírito], . Jardim dos Orixás, Livro 2/Ramatis: obra mediúnica psicografada pelo médium Noberto Peixoto – 1ª ed. - Limeira: Editora do Conhecimento, 2004.
RIBEIRO, José. Catimbó: magia do Nordeste – Rio de Janeiro: Pallas, 1992
RIBEIRO, Ronilda Iyakemi. Alma Africana no Brasil: Os iorubás – São Paulo: Editora Oduduwa, 1996.
RIO, João do. As Religiões do Rio.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1976
RIOS, Luís Felipe. A fluxização da umbanda carioca e do candomblé baiano em Terras Brasilis e a reconfiguração dos campos afro-religiosos locais– s/d. Mimeo.
RIOS, Luís Felipe. O feitiço de Exu: parcerias homossexuais entre homens jovens candomblesistas e/ou integrantes da comunidade entendida do Rio de Janeiro – In: Numen: revista de estudos e pesquisa da religião, Juiz de Fora, v, 7, n. 1, p. 145-158
RISÉRIO, Antonio. A utopia brasileira e os movimentos negros – São Paulo: Ed.34, 2007.
RODRIGUÉ, Maria das Graças de Santana. Orí, Na Tradição dos Orixás: Um Estudo nos Rituais do Ilé Àsé Òpó Afonjá. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2009 (Tese de Doutorado)
ROHDE, Bruno Faria. Umbanda, uma Religião que não Nasceu: Breves Considerações sobre uma Tendência Dominante na Interpretação do Universo Umbandista- In: REVER – Revista de Estudos da Religião – Março/2009/pp.77-96
SALES, Nívio Ramos. Búzios: a fala dos orixás: caídas, significados, leituras - 2ª edição - Rio de Janeiro: Pallas, 2007.
SAMPAIO, Gabriela dos Reis. De simples alfaiate a poderoso pai-de-santo: a história de Juca Rosa na corte imperial – In: JUNIOR, Roberto Dalbert; PEREIRA, Edimilson de Almeida[org.]. No Berço da Noite: Religião e arte em encenações de subjetividades afrodescendentes – Juiz de Fora: MAMM Ed., 2012. pp. 119-148
SANCHEZ. Sara M. Afro-cuban diasporan religions: A comparative analysis of the literature and selected annotated bibliography – s/d, Mimeo.
SANDRONI, Carlos.Transformações do Samba Carioca no Seculo XX – s/d, Mimeo.
SANTOS, Descoeredes dos. SANTOS, Juana Elbein dos. A cultura nagô no Brasil: Memória e continuidade. In: CULTURA AFRICANA, Paris, Unesco, 1985.
SANTOS, Irinéia M. Franco dos. Iá MI Oxorongá: As Mães Ancestrais e o Poder Feminino na Religião Africana – In: Sankofa. Revista de História da África e de Estudos da Diáspora Africana Nº 2 dez./2008
SANTOS, Jeová Rodrigues dos. Perspectivas de plausibilidade da religião na pós-modernidade aplicadas à realidade brasileira- In: Ciberteologia – Revista de Teologia e Cultura – Ano III, n. 21.
SANTOS, Joel Rufino dos. O que é racismo – São Paulo: Abril Cultural: Brasiliense, 1984.
SANTOS, Joel Rufino(org.). Negro Brasileiro Negro– In: Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional nº 25 1997
SANTOS, Juana Elbein. Os Nàgó e A morte: Pàde, Àsèsè e o culto egum na Bahia – [traduzido pela Univesidade Federal da Bahia] – Petrópolis: Vozes, 1986.
SANTOS, Luiz A. Rebouças dos. Ioga Hoje – Porto Alegre: FEEU, 1992.
SANTOS, Milton Silva dos. PORDEUS JR., Ismael de A. Portugal em transe. Transnacionalização das religiões afro-brasileiras: conversão e performance. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 2009.168p. In: Varia Historia, Belo Horizonte, vol.27, nº 46: p.757-760, jul/dez 2011
SANTOS, Rodrigo Carneiro dos. Identidade do Sacerdote – O conflito Pós - moderno – s/d, Mimeo.
SARACENI, Rubens. As Sete Linhas de Umbanda: A Religião dos Mistérios – São Paulo: Madras, 2003.
SCHOLZ, Roswitha. O valor é o homem: teses sobre a socialização pelo valor e a relação entre os sexos – [tradução: José Marcos Macedo] – In:Novos Estudos CEBRAP , Nº.45-São Paulo, Julho de 1996, PP. 15-36
SCHWARCZ, Lilia Moritz Espetáculo da miscigenação – In: Estudos Avançados 8(20) 1994
SCHWARCZ, Lília Moritz. Racismo no Brasil – São Paulo: Publifolha, 2001.
SENNA, Ronaldo, TITA, Maria José de Souza. A Remissão de Lúcifer: O Resgate e a ressignificação em diferentes contextos afro-brasileiros – Feira de Santana, Editora UEFS, 2002.
SERRA, Ordep. Águas do rei - Petrópolis: Vozes: Rio de Janeiro: Koinonia, 1995.
SILVA, Francisco Jean Carlos da.Pentecostalismo e Pós-pentecostalismo.- In: Revista Eletrônica Inter-Legere. Número 2 – julho a dezembro de 2007.
SILVA, Jacimar. HYPERLINK "http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=94429&Seccao=cultura" Todos os segredos de XangôHYPERLINK "http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=94429&Seccao=cultura" – Rio de Janeiro: Ediouro, 1988HYPERLINK "http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=94429&Seccao=cultura" .
SILVA, Jandson Ferreira da. “Quem é filha de Gérson não deve temer a ninguém!” [manuscrito] – Trajetória de uma mãe-de-santo na Umbanda – 2009.
SILVA, José Maria da.Proximidades Teológicas à Pós-Modernidade em Hans Küng e Andrés Torres Queiruga. In: REVER – Revista de Estudos da Religião Nº 2/2006/pp. 43-70
SOARES DA COSTA, C.A.: Religião e modernidade: aspectos sociológicos, en Contribuciones a las Ciencias Sociales, febrero 2011. www.eumed.net/rev/cccss/11/
SODRÉ, Muniz. O terreiro e a cidade: a forma social negro-brasileira – Rio de Janeiro: Imago Ed.; Salvador, BA: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 2002.
SOLOMON, Robert C. Espiritualidade para céticos: paixão, verdade cósmica e racionalidade no século XXI – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
SOUSA, Antonio Vilamarque Carnaúba de. Afro-cearenses em construção: discursos identitários sobre o negro no Ceará - Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2008.
SOUZA, Marina de Mello. A África tem história? – s/d. Mimeo.
SOUZA, Marina de Mello. África e Brasil africano - São Paulo: Ática, 2008.
Suplemento Literário de Minas Gerais Cantos Afrodescendentes: Vissungos publicado em Belo Horizonte, outubro de 2008. Edição Especial. Secretaria de Cultura de Minas Gerais.
TAVARES, Ildário. Xangô - 2ª edição - Rio de Janeiro: Pallas, 2002.
THEODORO, Helena; JUPIARA. Aloy; VALENÇA. Rachel. Dossiê das matrizes do samba no Rio de Janeiro – Rio de Janeiro, 2006, mimeo.
THOTH: Escriba dos deuses. Pensamento dos povos africanos e afrodescendentes. - Nº 01 janeiro/abril 1997 - Secretaria Especial de Editora e Publicações.
TREVISAN, João Silvério. Devassos no paraíso: (a homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade) – Ed. revisada e ampliada – 6ª ed. - Rio de Janeiro: Record, 2004.
TREVISAN, João Silvério. Seis balas num buraco só (a crise do masculino) – Rio de Janeiro: Record, 1998.
TSHIBANGU, Tshishiku. Religião e evolução social. In: História geral da África, VIII: África desde 1935 / editado por Ali A. Mazrui e Christophe Wondji. - Brasília: UNESCO, 2010.
USARSKI, Frank (Org.). O espectro disciplinar da ciência da religião – São Paulo: Paulinas, 2007.
USARSKI, Frank. Constituintes da ciência da religião: cinco ensaios em prol de uma disciplina autônoma – São Paulo: Paulinas, 2006.
USARSKI, Frank. O potencial da Ciência da Religião de criticar ideologias – um esboço sistemático – In: REVER - Revista de Estudos da Religião Nº 2 / 2001 / pp. 1-20
USARSKI, Frank. Os Enganos sobre o Sagrado – Uma Síntese da Crítica ao Ramo "Clássico" da Fenomenologia da Religião e seus Conceitos-Chave – In: REVER - Revista de Estudos da Religião Nº 4 / 2004 / pp. 73-95
VEIGA, Ericivaldo. A essência do sabor brasileiro: segredos da Bahia – s/d. Mimeo.
VERGER, Pierre Fatumbi. As múltiplas atividades de Roger Bastide na África. – s/d. Mimeo.
VERGER, Pierre Fatumbi. Os orixás –s/d. Mimeo.
VIANNA, Luís Fernando. Ismael Silva – Rio de Janeiro: MediaFashion, 2010.
WICKENBURG, Joanne. Um guia do mapa astral – [tradução: Aníbal Mari]- 10ª ed. -São Paulo: Pensamento, 1995.
WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual - In: SILVA, Tomaz Tadeu da. (org). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.
WUENSCHE, Carlos Alexandre. Dossiê Astronomia versus Astrologia- In: Revista Ciência Hoje – v.43, Nº. 256, 2009
XAVIER, Regina Célia Lima. Mestre Tito: religiosidade e escravidão na história de um africano no Brasil – In: JUNIOR, Roberto Dalbert; PEREIRA, Edimilson de Almeida[org.]. No Berço da Noite: Religião e arte em encenações de subjetividades afrodescendentes – Juiz de Fora: MAMM Ed., 2012. pp. 149-166
ZOLRAK. Tarô sagrado dos orixás – 7ª edição – São Paulo: 2008
Zumbi somos nós: Cartografia do racismo para o jovem urbano In: Disponível em: http://www.frente3defevereiro.com.br
terça-feira, 24 de junho de 2014
RETRATO PARCIAL E FRAGMENTADO DAS NEGRAS E DOS NEGROS DO CEARÁ
Este capítulo é uma análise do evento promovido pelo Museu do Ceará: Seminário Negros no Ceará: História, Memória e Etnicidade.
O evento foi realizado aqui em Fortaleza nos dias 18, 19 e 20 de Junho de 2008. Foi promovido pela Associação Amigos do Museu do Ceará e teve o apoio da Unegro - União de Negros pela Igualdade.
A minha análise desse evento é fragmentada porque minha participação foi fragmentada. Não tive condições financeiras de participar de todas as atividades e horários oferecidos pelo seminário. Até porque coincidiu com a fase em que estava divulgando na cidade o Curso Panorama da Mitologia Afro-brasileira, sem patrocínio e com todas as dificuldades de quem divulga cursos dessa natureza numa cidade marcada pelo catolicismo branco de matriz ibérica, onde a população negra tem uma baixa auto-estima tão grande que adota a religião do branco e não se assume negra:
- Não senhor, sou moreno escuro.
O seminário partiu de uma premissa bem crítica enunciada em seu folder:
A abolição do escravismo negro, coincide em 1884 no Ceará, foi um dos fatos mais elaborados na escrita de uma história oficial do estado. A expressão "Ceará - Terra da Luz", um dos principais epitetos construídos acerca de uma 'identidade' local, surge a partir daí, sendo apropriada na contemporaneidade com fins mercadológicos ligados ao turismo local
E aí com este tipo de folder nós temos a resposta porque é que o Museu do Ceará anda sempre mal das pernas financeiramente, porque o Governo Cid Gomes prefere enviar gordas verbas para o Porto de Pecém e para os megaprojetos como a Siderúrgica e a Refinaria, do que pagar em dia o salário dos monitores do Museu do Ceará. Tudo por um motivo simples: o Museu do Ceará incomoda. A história local incomoda. A memória incomoda. Ficar escarafuçando os "feitos" dos poderosos do passado incomoda os poderosos do presente.
E aí vemos os funcionários, bolsistas do Museu fazendo heroicamente esse seminário, contando com a cara e coragem e contando com um pouco de dinheiro que entra da venda dos livros editados pelo Museu do Ceará, ainda da gestão passada do Museu. Se não fosse a venda dos livros na portaria do Museu ficaria inviabilizado coisas simples como tirar um xerox, comprar uma mídia que vai ser utilizada pelo palestrante na mesa-redonda no Datashow, comprar uma água, entre outras coisas.Ou seja, eis a política cultural do Governo Cid Gomes:o Museu do Ceará de pires na mão. Enquanto o Porto do Pecém que lesou vilas de pescadores com todas as verbas.
Participei como ouvinte da mesa-redonda: Herança cultural africana no Ceará. Nela o professor Lino de Ogum fez uma comunicação interessante sobre os falares afro, usando sua experiência como homem de letras e entrando em considerações lingüísticos-filológicas sobre a língua Bantu, a etnia negra que mais colonizou o Ceará, ainda que ele, por ser de um ilê keto tenha falado um pouco do tronco lingüístico yorubá. Foi muito interessante a comunicação dele, porque deu a oportunidade das pessoas presente perceberem que o povão fala muito banto e yorubá sem saber.
Na comunicação de Cláudio Correia (presidente do Maracatu Vozes D'Africa) surgiu um mal-estar geral, pois ele enunciou explicitamente que o indígena é preguiçoso e o negro trabalhador. Eu como tento ser compreensivo sempre, acabei entendendo o porquê dessa representação tão negativa do indígena e tão utilitarista da figura do negro.
O homem é folclorista e o que os folcloristas brasileiros mais lêem é uma farta bibliografia da década de 20 e 30 com franca orientação nazi-fascista. Ou seja, falo do cearense Gustavo Barroso e do potiguar Câmara Cascudo, que como relata a historiografia do anarquista Edgar Rodrigues, assinaram o manifesto fascista - integralista daqueles anos. Todos eles embevecidos pelas idéias autoritárias de Plínio Salgado e do chamado Verde-Amarelismo em torno da revista Anta e outros periódicos que se opunham ao modernismo de cunho nativista e anárquico de Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Raul Bopp.
O Brasil construído por esses homens integralistas aponta para a direção da fala do Cláudio Correia: um Brasil feito pelo índio, pelo negro e pelo colonizador português, mas em que o índio e o negro têm de saber o seu lugar: o lugar da submissão, o lugar da invisibilidade social, um lugar subalterno e desempoderado, portanto. O índio para ser aceito e o negro para ser aceito terá de renunciar as suas ancestralidades e assumir os valores do branco europeu.
Até o cearense Gerardo de Mello Mourão caiu nessa esparrela integralista e quando vivo cantava loas ao integralismo, a Mussolini e a todos os ditadores da época.
A comunicação do Prof. Dr. Gerardo Vasconcelos da Faculdade de Educação foi bem interessante e tentou revelar as relações entre a combatividade da população negra através da arte da capoeira. Inclusive toda a cooptação mercadológica da capoeira com a criação da luta regional. O interessante foi a recuperação de uma figura baiana, um capoeirista negro chamado Besouro, um verdadeiro "Robin-hood" da época: amado pelo povão, odiado pelos poderosos e pela polícia. E que acabou morrendo num leito da Santa casa de misericórdia da Bahia se esvaindo em sangue e sem atenção nenhum dos profissionais de saúde, por ordem dos poderosos locais.
A comunicação de Armando Leão (coordenador do GCAP - Grupo de Capoeira Angola Pelourinho) foi boa, porque ele mostrou como foi seu percurso de capoeirista vindo do Rio de Janeiro e chegando numa cidade e num estado que diz que não há população negra. E que a capoeira daqui é caceteira. E a dificuldade de difundir uma capoeira que não é seduzida pelo mercado e nem por uma necessidade cearense dos homens andarem se mostrando e arrotando virilidade, masculinidade e valentia à toa. Enquanto os valores da capoeira angola são outros: se baseiam no respeito, na solidariedade e no espírito comunitário africano.
Foi interessante ouvir o relato de experiência de Mãe Valéria de Logum-edé do Ilê Asé Omo Isé, (Memorial do Candomblé no Ceará) e Mãe Ziná da Tenda Senhores de Ogum, uma sacerdotisa da umbanda. Cada uma revelaram suas representações de como entendem a africanidade dentro do cenário cearense. E chegamos a conclusão de que os cultos de matriz africano-indígena são relegados à uma marginalidade social. Isso pelo menos, no caso da realidade que conheço mais de perto da Região Metropolitana de Fortaleza.
A comunicação de Oswald Barroso, teatrólogo e pesquisador, foi muito rica. Através de fotos, o pesquisador passeou pelas máscaras africanas e sua repercussão no artesanato do Ceará, revelando através de um estudo comparativo que as danças dos Irmãos Aniceto se parecem com o que é feito na costa africana. O Bumba-meu-boi cearense de brinquedo, papelão e tecido em muito se parece com a relação do povo africano nas suas brincadeiras de terreiro com bois de verdade, mostrando a marca indelével da pecuária nos dois povos.
O seminário foi uma oportunidade de vermos a relação que há entre África e Ceará e pelo que percebemos na fala de cada palestrante a aproximação é muito maior do que se imagina.
POR QUE OS RITOS NEGROS NO BRASIL DEIXARAM DE PRATICAR MUTHEMBA
Este capítulo tem como propósito fazer um levantamento histórico do momento em que a prática bantu da muthemba deixou de ser praticada no Brasil ao proporcionar todo um processo de aculturação do povo negro, que resultou em práticas diluídas como a umbanda.
Este estudo inicialmente era um diálogo crítico com várias fontes bibliográficas, mas sobretudo com a obra África de Geoffrey Parrinder e com a tese de doutorado Umbanda - Os "Seres Superiores" e os orixás/santos: um estudo sobre a fenomenologia do sincretismo umbandístico na perspectiva da Teologia Católica de Valdeli Carvalho da Costa (São Paulo: Edições Loyola, 1983).
Mas como em 2011 tive acesso ao artigo acadêmico de Wilson do Nascimento Barbosa , confesso que terei de revisar, agora em 2013, o que penso de alguns argumentos deste ensaio feito originalmente em 2002.
MACUMBA OU NBANDLA?
A palavra bantu ou `nbantu “`Nbandla” quer dizer em sua acepção principal “a congregação mais antiga”. Esta associação ou congregação mais antiga certamente assumiu este nome público, em outro tipo de sociedade, para separar-se, ou não ser confundida com uma outra associação, esta sim, por certo, “mais nova”. Poder-se-ia supor que seus adeptos deste modo fixavam sua prioridade e certamente estavam a indicar um grau de pureza, distinta daquela ou daquelas associações mais novas. Ao longo do tempo, contudo, este termo importado da África e da Cultura `Nbantu de seus importadores, terminaria por designar algo bem distinto daquela pureza original que o novo pretendia.
Wilson do Nascimento Barbosa
Ao contrário do que apurei e escrevi baseado na bibliografia de 2002, o historiador negro Wilson do Nascimento Barbosa remonta uma origem mais antiga à Umbanda. Inicialmente eu pensava que a umbanda vinha de um impreciso culto chamado macumba do início do século XX. Mas o professor negro remonta as origens ao século XIX, quando o culto tinha o peculiar nome de nbandla(que vai de 1850 a 1913.)
E COMO SE CARACTERIZARIA ESSA FASE DO CULTO DA NBANDLA?
Nos anos (18)40e (18)50 foi constante a referência, nas páginas dos jornais do Rio de Janeiro e São Paulo, de reuniões de pretos (nomes dos negros de então), com finalidade aparente de praticar a religião. Tais reuniões, quando descobertas ou denunciadas, eram dissolvidas a pata de cavalo ou a golpe de bastões policiais, sendo seus praticantes recolhidos, presos, quando não logravam fugir. A partir dos anos (18)50, é nítida a separação de semelhantes “pagodes”, sempre destruídos, em duas famílias, o Candombe ou Candomblé e a Macumba ou Imbanda. Aparece, portanto, pela primeira vez (1853) a `Nbandla bantu como ramo independente das religiões ou “cultos” afro-brasileiros. p. 8
E QUAL O TRATAMENTO POLICIAL AOS APETRECHOS DO CULTO?
Quanto ao nome de “pagodes”, eram dados por deboche pelas autoridades policiais, emvirtude do caráter enfeitado e complicado dos rituais e dos instrumentos de culto alievidenciados. Os objetos eram recolhidos ou ali mesmos destruídos.” (Wilson do Nascimento Barbosa, 2008)
O QUE DIZ A HISTÓRIA ORAL?
Segundo interpretações verbais de antigos praticantes, é possível reconstituir algo – mas não o suficiente – da diferença entre as “bandas” existentes nas religiões afro-brasileiras de então. Os contextos das construções religiosas no período 1780-1850 eram sabidamente três: (a)um contexto indígena, formado pelas populações aborígenes à época dispersas nas matas brasileiras; (b) um contexto europeu, formado nas aldeias litorâneas e outras poucas tomadas cultural e/ou militarmente aos indígenas e convertidas em vilas, cidades e missões e/ou fazendas do colonizador; e (c) contexto afro-indígena, que compreendia o ambiente de encontro entre africanos e indígenas no trabalho escravo, nas populações que das fazendas fugiam para o interior, etc.
Cada um destes três contextos fornecia um ambiente básico para o desenvolvimento das crenças e religiões de cada grupo de acordo com sua etnocultura, dando-se aproximações tanto do tipo sincrético como do tipo estanque e compartimentado.p. 8 (BARBOSA, 2008)
O QUE FOI REALMENTE A NBANDLA E SUAS IMPLICAÇÕES SÓCIO-CULTURAIS?
A `Nbandla foi assim uma ideologia social de importância nas condições do séculoXIX, em função do grande número de componentes dos povos Nbantu, que na realidade sociocultural de então conformavam as populações locais brasileiras. No que se refere às aproximações com outras religiões, a destruição massiva dos elementos de culto e dos rituai se eliminou a possibilidade de uma reconstituição dos caminhos culturais percorridos. Sabe-se do entre jogo entre as diferentes culturas, do intercâmbio constante com a África e a Europa, das extensas relações com o Judaísmo, a Ciganaria, etc. No entanto, restaram apenas narrações,verbalizações e cânticos que expressam atemporalmente tais relações. Segundo consenso extensivo na comunidade de pais e mães-de-santo dos anos (19)50, a maioria dos cânticos conhecidos e então compendiados não chegava a cem anos de idade (1860-1950). p. 9 (BARBOSA, 2008)
COM QUEM SE ENCONTRA O PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL DA NBANDLA?
Os cânticos (ou “pontos”) expressam assim uma parte congelada das relações religiosas inter-étnicas, que necessitariam para ser corretamente datados de – ao menos – uma preservação de amostras da estatuária sagrada ao longo das gerações. Dessa, ainda hoje – o pouco que resta se encontra nas mãos da polícia. Por isso, torna-se muito difícil chegar à definição dos lugares específicos das identidades religiosas, com uma teoria adequada do papel das identidades eventualmente duplas ou triplas, nas fases históricas precedentes (da época contemporânea). A multiplicidade de papéis a desempenhar que se gera naturalmente numa sociedade em urbanização devia requerer oportunidades também múltiplas de transformação religiosa nos contextos étnicossociais de então.p.9 (BARBOSA, 2008)
COMO SE DÁ O PERTENCIMENTO IDENTITÁRIO NO CANDOMBLÉ, NA MACUMBA E NA NBANBLA?
A busca ou a rejeição de identidades culturais dava-se por certo centralizada nas oportunidades de desenvolvimento religioso. Graças à dinâmica de uma sociedade semi-colonial em decomposição, tais oportunidades religiosas vinculavam-se a oportunidades de ascensão social, reais ou imaginadas. Desse modo, o complexo ambiente de luta espiritual em cada um dos ramos formados da afro - religião brasileira não pode agora ser recuperado ou detalhado.Cada afrorreligiosidade em seu lugar, (1) o Candomblé, a (2) Macumba e a (3) `Nbandla ocupavam camadas etnicossociais idênticas do ponto de vista do colonizador, mas diferenciada se concorrentes, do ponto de vista daqueles socialmente dominados. Ao mesmo tempo em que tais religiões afro-brasileiras os libertavam a todos, oferecia-lhes entendimentos diferentes do grau de normalização das relações etnicossociais e do grau de equilíbrio na vida pessoal. Esse processo de diferenciação dos resultados no mundo real expressava-se como um padrão de flutuações de prestígio dos ramos, dos templos e dos respectivos chefes religiosos. Certas casas religiosas entravam em declínio, ao desaparecerem suas estrelas máximas; outras não; certas outras acompanhavam ou desacompanhavam o ascenso e o declínio de seu ramo, etc.” p. 9 (BARBOSA, 2008)
COMO SE CARACTERIZA A RELIGIOSIDADE BANTU?
Pelas características específicas da religiosidade Bantu, o mundo é um encontro cruzado de dois ou quatro submundos. Ou melhor, são quatro os mundos, interligados, à maneira das quatro esferas de luz de Swedenborg: (1) “este mundo”; (2) o “outro mundo próximo”; (3) o“outro mundo distante”; e (4) o “outro mundo do nada”. As relações das pessoas comuns e de suas famílias se dão com (a) seus antepassados antecedentes ou muito próximos (pais, avôs, etc) e (b) com os antepassados de seus antepassados (avos dos avôs, avôs dos avôs dos avôs, etc). A maioria de nossas desavenças se encontra assim nas relações dos dois mundos, ou seja, (1) este mundo; e (2) o outro mundo próximo. É claro que podem se dar relações mais profundas e mais complicadas, com soluções até fora de alcance. No entanto, a maioria das relações entre mundos compreende esses dois mundos iniciais.
Desse modo, a força da intervenção do sacerdote Bantu situa-se no seu papel simplificador. Ele intermedia entre as pessoas comuns e seus antepassados, buscando “abrir caminhos”, pela percepção dos mesmos e por indicação de vias. O ganga, o nijanga, o sangoma,etc, pode situar-se num patamar menos poderoso das requisições de ritualística Bantu, graças à diversidade da mesma. Ou, se as circunstâncias o exigirem, tais sacerdotes podem tornar-se personalidades muito complexas, como agentes políticos ou históricos. No dia-a-dia das necessidades comunitárias angariam enorme prestígio ao restabelecer o equilíbrio, seja grupal seja individual. Enfrentam as baixas energias negativas, cujo acúmulo tenderia a desagregar o meio. As estratégias de desgaste de sua comunidade por forças adversas são assim compensadas e enfrentadas, com a neutralização ou reenvio de forças de malefício. p. 10 (BARBOSA, 2008)
QUANDO O KARDECISMO ENTRA EM CENA?
Para minha surpresa as fontes historiográficas de Wilson do Nascimento Barbosa divergem das fontes historiográficas do teólogo católico que havia consultado em 2002 (Valdeli Carvalho Costa, 1983). Enquanto Costa situa o cruzamento com o Kardecismo no século XX com a belle époque carioca , Barbosa, por sua vez, recua no tempo, mais precisamente na:
No entorno da Guerra do Paraguai (1860-1880), a `Nbandla sofreu forte impacto do Kardecismo, recém-implantado no Brasil e muito forte então no corpo de oficiais do exército e da marinha. A `Nbandla, sendo já à época conhecida como Umbanda (corruptela gerada pela pronúncia), no Rio de Janeiro tinha mesmo acesso às igrejas católicas onde concentravam as tropas que eram enviadas para o “front” paraguaio. Era então nítida a associação das cores das nações africanas, na escolha dos santos católicos que deviam favorecer os iniciados ou adotados pela Umbanda. pp. 10-11
COMO SURGIU A MITOLOGIA DAS SETE LINHAS?
O atendimento coletivo substituía a antiga roda comum de delírio das aldeias Bantu na África (Ku Yinga). Ali podia-se entoar cânticos reelaborados para expressar a nova coletividade,evidentemente híbrida, de parentela e consangüinidade desconhecidas. Os antepassados eram invocados de acordo com uma nova terminologia mais abrangente, produzida pelos sacerdotes para cobrir um arco mais abstrato de relações com os fiéis. Nesse sentido, pode-se observar um deslocamento do (2) outro mundo próximo para o (3) outro mundo distante. A necessidade de generalizar as relações de parentesco para todos os Bantu e não-Bantu agora (então) desaldeiados levou à mitologia das Sete Linhas, cujas cores incorporam diferentes culturas e escolhas africanas. Constituiu-se assim nova hierarquia geopolítica da vida espiritual, para correspondera os movimentos populacionais devidos à guerra, ao recuo da escravidão e ao avanço urbanizador.
QUANDO E POR QUE OS QUATRO MUNDOS BANTU FORAM SIMPLIFICADOS?
O atendimento individual reduzia os elementos dramáticos e a teatralização do culto coletivo, permitindo manter a essencialidade do atendimento Bantu tradicional. A interação entre o sacerdote e o consulente visava identificar o problema que afligia o último e estabelecer os procedimentos rituais capazes de expelir a sujidade espiritual. Sendo os rituais expelidores (a)de purificação e (b) de ressocialização, o paciente quase sempre lograva sua reinserção mais equilibrada no meio social a que pertencia, efetuando-se novas “sessões” de análise e síntese –intuitiva, quando se oferecessem resistências ou dificuldades adicionais. Os rituais buscavam a concomitância dos “quatro mundos”. Com a gradual conversão da Inbandla em Umbanda, as práticas simplificadoras tenderam a convergir com o Kardecismo e as exigências da modernização urbana, com a produção de gongás mais reduzidos e, conseqüentemente, mais ‘civilizados’.
QUANDO ENTRA EM CENA A KINBANDLA E POR QUÊ?
No entanto, kamba, a prece, continuava a exercer pelos cânticos e pelos baticuns a indicação e a percepção dos caminhos, com um papel cada vez maior para o saber revelado ou auto-revelado. A reestruturação de parentela a partir de código de sobrevivência, vizinhança e de local de trabalho requeria uma crescente intervenção de entidades e forças abstratas, o (3) outro mundo distante. Os serviços de malefício perdem tanto lugar na quantidade da sua invocação, quanto em complexidade ritualística. Terminariam a ser enviados todos para outra “Banda”, qual fosse a Kibandla (Quibanda), à qual se atribuiria um “papel maligno”, incompatível com a religiosidade geral afro-negra. Esta divisão reflete, aliás, o processo de luta entre as (1) tendências adaptativas à dominação branca e (2) as tendências puristas defensoras de uma maior compartimentação da cultura negra (1880-1920). Neste sentido, estas transformações não foram muito diferentes daquelas ocorridas no Candomblé à mesma época e expressam ambas as novas necessidades que afligem a população negra, com o aumento do desemprego e o influxo de uma maciça imigração branca no país.
A formação da Umbanda (1913-1960). A Umbanda Empretecida.
QUAIS AS IMPLICAÇÕES DO MÉDIUM ZÉLIO FERNANDINO PARA O EMBRAQUECIMENTO?
Uma importante viragem no processo para “tornar branca” a Umbanda deu-se com a experiência relacionada à descida do Caboclo Sete Encruzilhadas, no médium então kardecista Zélio Fernandino (15 de novembro de 1908), que levaria a uma gradual reestruturação da Inbandla como Umbanda de Linha Branca, isto é, como um ramo cada vez mais desafricanizado de religião, sob a influência dos discípulos de Allan Kardec . A Umbanda de Linha Branca iria se estruturar no período 1913 (com um conselho de cinco membros, entre os quais haveria um padre católico) a 1930, com a formação de associações civis que enquadravam no total cerca de trezentas tendas, no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, nesta fase inicial. Mais tarde, o movimento se estenderia a todo o Brasil.
Dois foram os traços característicos desta nova Umbanda, daqui em diante referida simplesmente como Umbanda: (1) a leitura kardecista como fato hegemônico, com a preservação de alguns elementos de ciganaria e as Três Linhas; e (2) eliminação ou redução da Jurema na ritualística.
Na nova hierarquia cerimonial, o sacerdote perderia gradativamente a sua condição de feiticeiro (capacidade impregnadora) e avançaria enquanto hieródulo (cavalo-de-santo e médium).Os nomes africanos para o sacerdote perderam influência, poder e, portanto, desapareceram. O termo “pai-de-santo” ou “mãe-de-santo” vieram a substituir a terminologia africana. Os “três outros mundos” também desapareceram, reduzindo-se a um “outro mundo” unificado, dentro do padrão kardecista. A tradição africana de formação sacerdotal pelo discurso e pela cópia foi substituída por uma formação apenas ritualística e com apoio livresco. As relações com a Igreja Católica se reforçaram no nível de base, constituindo-se muitas vezes o culto local um complemento subordinado das práticas católicas, o chamado catolicismo popular.
O QUE SIGNIFICA AS TRÊS LINHAS NESSE CONTEXTO?
As Três Linhas desenvolveram uma liturgia diferenciada, onde os milhares de entidades (“muitos”) viram-se reduzida a Pretos Velhos, Caboclos e Exus. Através desses três canais, a Umbanda reformada alegava poder acessar todas as entidades precedentes do Universo Espiritual Afro-indígena. Recorde-se que na Inbandla, tinha-se:
Número Situação correspondente
1 A energia formadora; a convergência original
7 As linhas das entidades; as entidades básicas
49 As famílias das entidades básicas
343 O número derivado de entidades
2401 “muitos”; as manifestações das entidades derivadas
5.764.801 “O imensurável”; todos os antepassados
DO USO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS NA NBANBLA AO NAMORO COM O PODER
Na crônica policial de 1850-1940 é comum verificar-se o relato da prisão de pessoas embarcadiços e marinheiros que portavam volumes com a “flor da jurema” e a maconha, trazida sempre em grande quantidade por tais “malfeitores” desde o Nordeste, para as províncias ou estados do Sul ou Sudeste.
As autoridades policiais sabiam que grande parte dessas “mercadorias” destinava-se ao consumo dos terreiros-de-santo, das linhas da Inbandla e da Kibandla, sendo outra parte consumida fora dos rituais, pelas populações de trabalhadores de origem nordestina, descendentes de indígenas ou quilombolas.
A Umbanda reformada do período 1913-1960 procurou e obteve, portanto, desvincular-se das práticas culturais e religiosas desses trabalhadores, caracterizados na crônica policial como bandidos, viciados e malfeitores. Ao se desvincular das camadas mais pobres e tradicionalistas da população, as novas federações umbandistas também lograram aproximar-se, pela sua limpeza de imagem, da chamada “classe média”, obter representação política, etc, com a eleição de vereadores e deputados, acesso a programas de rádio, etc. A política de branqueamento era dessa forma expressão do jogo de “mulatos” ladinos, um movimento auto-destruidor de dentro da massa negra diferenciada etnicamente e que buscava usar esta diferenciação (“mestiçagem”) como um trunfo. Semelhante atitude era coadjuvada e apoiada pela dominação branca, em consonância com a antiga estratégia de dividir para reinar.
O ABANDONO DA MUTHEMBA E A PROCESSO DE ACULTURAÇÃO
Também as cerimônias da Muthemba (o retorno) pela qual o consulente ou praticante era induzido ou “levado de volta” até sua terra original, logrando “ver” sua aldeia ou território ou agregado africano do qual descendia, viram-se totalmente abolidas na nova Umbanda, até pela fraqueza dos alucinógenos em uso (charuto, cachaça, defumador, etc). Esses poluentes orgânicos de baixo teor nunca lograram produzir a terrível centelha de imersão no inconsciente, que antes era obtida. Conseqüentemente, o seu nível de consolo humano e espiritual é muito mais baixo e a religião praticada menos forte para repelir o ataque aculturador de outras formas ideológicas.
A DESPEITO DE TUDO: O PESO DA COR DA PELE
No entanto, esta primeira Umbanda (1913-1960) reformada, embora de ampla difusão,foi sempre socialmente considerada uma “religião de pretos”. Ela legalizava a aproximação de brancos e pretos, sendo a maioria dos brancos que dela participavam pessoas pobres e de baixa instrução formal, que já viviam nos bolsões de cultura negra e que precisavam talvez ser educados religiosamente como negros, para suportar a adversidade de suas vidas. Nesse sentido, nela não havia muito, diferente daquelas aproximações, entre Judiaria, Ciganaria e religião Afro-indígena do fim do período colonial (1780-1830).
Quanto às pessoas de elevada posição social ou alta instrução formal que buscavam por diversos motivos às religiões estruturadas afro-brasileiras, elas preferiam então manter-se à margem de suas imagens sociais, prestando-lhes contrapartidas de eventuais ajudas financeiras, antirrepressivas ou políticas. Dessa forma, não era possível facilmente à Umbanda afastar de si a imagem de usar apenas um “biombo civilizado” atrás do qual teriam persistido as mesmas práticas sócio-culturais de elaboração e/ou condução de malefícios sociais ou individuais. As delegacias de costumes perseguiam a prática religiosa negra e a Umbanda reformada, mesmo ampliando suas linhas para quase folclorizar-se, continuou duramente perseguida até os anos(19)60.
QUAL A VISÃO OFICIAL DO ESTADO EM RELAÇÃO AO DIRIGENTE DO TERREIRO?
A visão oficial do Estado quanto ao dirigente da Tenda ou do Centro Espírita (versão “civilizada” este) era de que se tratava de um criminoso, um espertalhão e um estelionatário. Um delegado de polícia nunca se perguntava como num mundo mercantil um sacerdote da Umbanda lograva obter um fiador para alugar ou comprar uma casa relativamente grande, onde se instalaria o terreiro. Isso quase sempre era visto como alguma forma de crime. Favelados, empregados de serviço, domésticas e funcionários de baixo escalão constituíam o público majoritário de tais centros espíritas. Seria, pois, de perguntar por que tais “criminosos” não agiam em interesse próprio, mas continuavam – ao contrário – pobres. A resposta mais simples para a ressurreição da tenda ou do centro tantas vezes destruído estava no apoio material de seus crentes e na solidariedade efetiva de pessoas de classes sociais menos pobres, mas em dívida espiritual para com benefícios recebidos daquele terreiro. As federações de Umbanda, a Liga São Jerônimo (SP), etc, lutaram sempre para escapar ao impacto repressivo, o que só foi obtido nos anos (19)50 e (19)60, em seu apoio a grupos políticos instalados no poder.
BARBOSA FORNECE UM EXEMPLO PARA ILUSTRAR O PODER DE UMA MÃE-DE-SANTO
Quanto ao verdadeiro poder de uma mãe-de-santo, contarei um episódio de que fui testemunha, na minha infância. Uma pessoa da raça branca, que freqüentava eventualmente o terreiro de uma mãe-de-santo do Candomblé, mandou chamá-la (!) em sua casa (cerca de 11horas da manhã). A mãe-de-santo ali compareceu, encontrando o dito político choroso,recostado ao sofá. O mesmo declarou-lhe que, em virtude do retorno de Getúlio Vargas ao poder, a instituição que o indigitado político-intelectual dirigia já tinha outro diretor nomeado, que haviam-lhe informado do ministério que o decreto já havia sido assinado pelo presidente e estava apenas “secando a tinta” para ser publicado no Diário Oficial no dia seguinte. A mãe-de-santo declarou-lhe que “ainda não era tarde” para ele manter o cargo, mas que para tal ele devia dirigir-se imediatamente ao Candomblé dela, porque o etutu (prece) é mais forte no pegí (altar do Candomblé). O mal-agradecido foi-se então para lá com a mãe-de-santo. Após o trabalho feito, a mesma disse que ele fosse para casa, porque receberia um telefonema. O telefonema foi dado por alguém horas mais tarde, a informar que o político em caso continuaria no cargo,destinando-se o quase-nomeado para outra função, por decisão do próprio presidente Vargas.
Essa longa transcrição de um exemplo de Barbosa é para ilustrar o grau de entranhamento dos homens poderosos brancos no cotidiano das religiões de matriz africana. Em alguns casos, chega ao grau de co-dependência como se credita as supostas relações dos sacerdotes de Codó no Maranhão com a oligarquia dos Sarney.
COMO SURGE A SOLIDARIEDADE ENTRE SOCORRIDOS E SOCORRENTES NA UMBANDA?
O terreiro de Pai Cabinda da Aruanda na Rua do Matoso (RJ) era um lugar de mistérios, dominado pelos Okôs (entidades que gostam de lugares elevados). O iniciado sabe do que se trata. As pessoas que freqüentassem (anos (19)50) uma “tenda espírita” como aquela, teriam motivos para com ela se solidarizar ao longo de sua vida. Daí a incompreensão das autoridades ante as centenárias tentativas de destruição daquela e de outras “macumbas”.
Não tenho a menor dúvida de que o poder da Umbanda reformada já era menor à época (1913-1960) do que a de outras formas da cultura religiosa negra que lhe antecederam. Isso talvez resulte da necessidade de utilizar a massa numérica da comunidade como estações de captação energética intercedente, o que requer a participação consciente dos membros da comunidade. O poder decorre da fé e a fé requer cumplicidade entre os socorrentes e os socorridos. A própria criação da Umbanda reformada, talvez expresse a perda da sinergia afro, que as pessoas mais antigas como eu se lembram de haver visto refletida no olhar dos pretos. Uma energia africana que hoje só se pode ver em algumas tendas na própria África.
LINHA BRANCA VERSUS LINHA PRETA
A ‘Linha Branca’ continha evidentemente um estigma para atingir a todas as formas afro-brasileiras que não se constituíam tal linha. Certamente, elas – as outras – ver-se-iam no plano da ideologia social desterradas para uma possível ‘Linha Preta’ (por exclusão e por coincidência) provavelmente estaria na vizinhança da “Magia Negra” dos judeus e dos ciganos. Ou seja, uma suposta porta aberta ao inferno dos brancos. A desqualificação ignora também a importância para as religiões afro-negras da reconversão das forças magnéticas, que permitem administrar as energias negativas, contrárias ou litigantes.
ONDE O UMBANDISTA DEVE ATUAR: NOUTRO MUNDO OU NESTE?
O represamento de energias negativas no corpo do praticante, seja ele sacerdote ou consulente, é fonte de possessão, distorções profundas e, no longo prazo, de destruição. Embora a Umbanda seguisse “empretecida”, ela parecia descurar através da adoção de objetivo sou ideários ecléticos, da fonte especificamente negra de seu poder. É bem verdade que as religiões afro-negras são extremamente dinâmicas. Uma vez que trabalha nas condições imediatas de vida como força interveniente, tais religiões não priorizam oferecer metafisicamente uma “outra vida” no “outro mundo”, mas pluralizam as forças deste mundo com as do outro. Nesse sentido, podem subverter as relações sócio-políticas e exercem enorme poder social. Daí a grande complexidade da sabedoria especificamente negra que é o ganga saber incluir o que é exterior para obter novo equilíbrio societário, sem abandonar as tradições e as linhagens rituais do corpo religioso próprio.
PRETOS-VELHOS E BOIADEIROS OU O ETHOS BANTU DILUÍDO
A idealidade dos gangas era de fato preservada na linha dos Pretos Velhos, com os Pais João, José, Joaquim, Bento, Tibúrcio, Aruanda e tantos outros. E as avós Benta, Cabinda, Luísa, Rosa, Maria e outras tantas. Na linha dos Caboclos, Ipuareí, Tabajara, Juá, Tacomé e muitos mais, como o Boiadeiro, a expressar a dupla condição do indígena de representar a si próprio e representar a sua imagem na sociedade escravista-capitalista. É muito difícil intentar definir o campo das forças magnéticas aí representados, (sic) porque o espectro da representação por distribuição possível das faixas de ondas longas (de captação dos “espíritos” respectivos) difere de modo extenso da similar Bantu da qual é suposta ser derivada. No entanto, o seu todo seguramente representava as aspirações da massa negra presente nos terreiros de Umbanda. Mas já não representaria aquela outra massa que ali já não iria comparecer, e que predominava no Candomblé, na “Quimbanda”, na “Macumba”, etc. Portanto, essa Umbanda de Linha Branca é um fato “preto” da sociedade de urbanização, apesar do seu processo de branqueamento e do caminho que iria tomar na fase subseqüente (1960-1990).
O QUE FOI PERDIDO E O QUE SE GANHOU
A rotatividade geracional entre os terreiros e a sucessão de seus líderes também fez suas vítimas, quanto à preservação e continuidade de rituais, de encantados e de entidades, e de processos de encantamento e de tratamento. Uns se foram e outros chegaram. A enorme liberdade que a formulação abstrata da tradição confere ao líder religioso afro-brasileiro pode fazer caducar rapidamente inúmeras práticas e estabelecer outras, no curso de uma única geração. Nas “salinhas de café” das federações de Umbanda, quando os “novos” não estavam presentes, chegava-se a falar em “mercantilismo” e “traição”, nos anos (19)80. Sem dúvida, os caminhos que predominaram na fase 1960-1990, embora autorizados pelo crescente papel da Revelação nos cânones da Umbanda, não podiam satisfazer aos sobreviventes da tradição da “Reforma dos Cinco” (1913).
AS DUAS DITADURAS E A UMBANDA
Comparando as ditaduras de (1) 1930-1945 e (2) 1964-1985, a segunda se revela muito mais freqüentadora dos terreiros, em busca de consolo, de cura e de votos, do que a primeira. Nesse sentido, o impacto das forças folclorizadoras tinha que se fazer sentir muito mais no segundo caso, porque os chefes-de-terreiro muitas vezes sentem a necessidade de corresponderà expectativa de cenário dos seus consulentes mais poderosos e importantes. Nesse caso, os terreiros mais famosos e mais ricos são aqueles que melhor refletem os preconceitos da sociedade.
A UMBANDA EMBRANQUECIDA (1960 – 1990)
A Umbanda desta última fase encontrou-se cada vez menos negra, no sentido africano do termo, embora recorresse à cultura dravidi como elemento formal, importando traços e formas rituais da Índia para mascarar práticas afro-brasileiras e kardecistas. A estrutura dos rituais viu-se, assim, bastante modificada. Os curandeiros e profetas quase desapareceram, com suas adivinhações, mensagens e farmácia tradicional. A prática dos passes permaneceu, com os banhos-de-erva e as fórmulas das rezadeiras. A profunda concentração e intelectualização dos chefes-de-terreiro que caracterizavam os métodos indutivos bantu viriam a se rarificar nesta fase. Tal se deu com o gradual desaparecimento da etnocultura negra e a prevalência do médium no lugar do mamudongo e do cambono no lugar do inhaúti. O terreiro continuou uma área intermédia onde se encontram forças adversas, mas existe um sentido próprio na sessão para deixar lá fora as entidades insondáveis. A função impregnativa subsiste, embora enfraquecida. Continua-se ali a praticar diferentes graus de hipnose, inclusive a auto-hipnose. As entidades espirituais são todas de outro mundo, eliminando-se as diferenças para aqueles três mundos. Não é tão evidente a portação de poderes sobrenaturais ou mágicos, não se ouvindo o discurso ou a afirmação entre as entidades presentes do antepassado incorporado. A farmacopéia adotada revela-se mais funcional que impregnativa. Ocorre ali, como antes, uma reconstituição de integridades psíquicas, embora as identidades culturais atuais não sejam explicitamente afrobrasileiras
A INFLUÊNCIA DA CIGANARIA E REDIMENSIONAMENTO DA FARMACOPÉIA
Utilizam-se menos instrumentos antigos do culto, tanto batuques, tambores e cânticos quanto elementos do kadza. Neste, permanece o uso de sementes, barulho e peças geométricas.É comum encontrar-se o uso de cartas de tarô e outros elementos da ciganaria. Permanecem rituais de ressocialização e de purificação, dentro e fora da tenda, em geral tornados menos complexos e aparentemente para atender as limitações do mundo urbano. Por exemplo, a escolha, recolha e preparação dos remédios obedece a uma divisão de trabalho, feita fora e à parte do sistema de culto
AS ESTRUTURAS DE PARENTESCO DA UMBANDA EMBRAQUECIDA
As relações de apoio já se situam de todo nesta fase fora da estrutura de parentesco. O elemento dinâmico tornou-se por excelência a Revelação, com dezenas de terreiros que representam apostologização independente e o recebimento de uma missão específica desde um Guia, para o responsável do mesmo.
A MARGEM AFRO-NEGRA E SEU CRUZAMENTO
Deste modo, embora haja nesta Umbanda uma metodologia e uma origem em comum,cada grupo de terreiros parece tomar um destino próprio que expressa uma grande diversidade de papéis e divergências. O atendimento ao público mantém a forma coletiva na sessão de passe e a forma individual na consulta. A manifestação dos desejos negativos continua aí a ser reinterpretada, buscando tanto (a) a normalização das relações sociais em que a Umbanda embranquecida se desenvolveu como parece caracterizar um (1) abandono da afirmação afrobrasileira, com conseqüente (2) adaptação aos objetivos sociais da dominação vigente. Esta nova Umbanda expressa uma expectativa de ascensão social de brancos e mestiços pobres, que foram socializados na margem afronegra da sociedade brasileira e que desejam – ainda neste mundo – cruzar para a margem branca da mesma. A construção da sua própria Umbanda expressa desse modo a sua falta de treinamento para elaborar uma culturalidade exclusivamente branca, pela carência dos signos, da linguagem e da mítica que lhes permitisse uma outra invenção, capaz, esta sim, de havê-los situado na margem desejada.
A RELAÇÃO DESTA “UMBANDA EMBRANQUECIDA” COM OS ANTEPASSADOS E O CONE SUL
No entanto, ao construírem a sua própria Umbanda, tomando-a dos seus antepassados negros de certa forma, tais elementos sociais produziram um importante aparato cultural, que tem vindo a ocupar um lugar específico entre a sobre população ativa do chamado Cone Sul, expandindo-se além fronteiras para o Paraguai, o Uruguai e a Argentina. Nesse sentido, a dimensão desta Nova Umbanda parece-se muito com aquela da Ciganaria de 1750-1840.
POR QUE PRIVILEGIEI UMA HISTORIOGRAFIA E NÃO OUTRA
O leitor deve ter percebido que estou chegando ao fim do ensaio. E o leitor deve ter reclamado porque privilegiei o trabalho do historiador negro Wilson do Nascimento Barbosa, em detrimento da historiografia duvidosa do teólogo católico. Senão, vejamos como Valdeli Carvalho Costa define macumba e cultura bantu na sua tese de doutorado de 1983:
A Macumba desse período era ritualmente pobre e muito próxima da estrutura do culto praticado pela etnia Bantu na África. Invocam os mortos e os antepassados tribais, seres bem ou malfazejos. Acreditam na transmigração das almas o que no Brasil, os aproximará da doutrina Kardecista - no totemismo e nas práticas mágicas
O historiador Wilson do Nascimento Barbosa nos mostrou que a cultura bantu era simbolicamente rica, com seu sistema de explicação da realidade baseado nos “quatro mundos”. Não é transmigração das almas dos bantus que os aproximam do Kardecismo, mas, muito pelo contrário, é Allan Kardec que fez um blend indigesto: copiando elementos das religiões reencarnacionistas do Planeta Terra com o catolicismo francês.
Entre crer nas fontes de um historiador negro que foi na África e fez pesquisas in loco e um teólogo católico que usou fontes de segunda mão, eu fico com o historiador negro.
O SIGNIFICADO POLÍTICO DA UMBANDA
A Umbanda surgiu com o intuito de uniformizar o ritual e a doutrina afro-brasileira, refreando a tendência inventiva dos pais de santo em seus terreiros. Ou seja, ela visou à homogeneização dos cultos de matriz afro-indígenana perspectiva de poder melhor vigiá-los, controlá-los, servindo como aliada da classe dominante no processo que os historiadores chamam de "Bella-époque".
Desse modo, o Kardecismo, produto do Positivismo e, mais tarde, inspirando-se no darwinismo social serviu como o braço invisível do Poder. Para a classe dominante não interessava apenas dominar o corpo dos indivíduos através da coerção policial, ela queria também dominar as almas, as idéias através da coerção simbólica. Enquanto os cultos mais africanizados que representavam uma ameaça aos valores do capitalismo industrial serão perseguidos e, mais tarde, em face de sua resistência, cooptados.
Assim pensar a origem da Umbanda, é resgatar um período histórico em que a classe dominante utilizou todos os recursos imagináveis (violentos e/ou simbólicos) para fiscalizar e conter uma imensa maioria negra, indígena e mestiça que estava começando a criar formas de sociabilidade completamente contrárias aos interesses do grande capital.
COMO OS ORIXÁS APARECEM EM TRÊS TARÔS DO MERCADO EDITORIAL BRASILEIRO
O propósito deste estudo é esmiuçar e confrontar a constituição estética e ideológica de três tarôs de orixá existentes no mercado editorial brasileiro.
Os tarôs que iremos examinar são respectivamente o da Editora Pallas, o da Artha Editora e o da Pensamento/Llewellyn editora.
Para dar conta das analises estéticas lemos teóricos das artes plásticas .
Para dar conta dos aspectos sócio-religiosos envolvidos no problema lemos antropólogos da religião .
PARA QUE SERVE UM TARÔ DE ORIXÁ?
O leitor que parou para ler esse texto deve ter algum grau de iniciação ou no mundo dos orixás, nkices e voduns ou no mundo dos arcanos do tarô.
Mas caso não tenha nenhuma noção do que faz um baralho de tarô: irei tentar explicar.
O tarô é um oráculo que serve para se pedir conselhos em situações problemas. Basicamente é isto.
Contudo, o leitor deve questionar: mas baseado em que coisas esse “oráculo” aconselha?
A resposta para essa questão não é simples, pois o Tarô, ou para ser mais preciso, os tarôs são baseados no universo de referencia de seu autor.
Pois os tarôs modernos têm autoria reconhecida em cartório. Já os tarôs mais antigos têm autoria anônima ou atribuída.
O TARÔ DA EDITORA PALLAS
O primeiro tarô de orixá que tivemos acesso foi o de Eneida Duarte Gaspar .
Ao olharmos as belas cartas do tarô da Pallas, constatamos que apesar de se chamar tarô dos orixás, o que vincularia o tarô imediatamente ao universo dos candomblés de rito queto/nagô, vê-se entre os arcanos maiores, por exemplo, o arcano zero com uma divindade da quimbanda, Zé Pelintra .
Os caboclos são o arcano 21 e os pretos-velhos são o arcano 20. Revelando que, utilizando divindades do panteão umbandista, Eneida Gaspar afro-brasileirou o seu tarô. Entretanto, em arcanos menores ela preferiu africanizar o tarô, como se pode perceber nas filigranas do naipe de ouros consagrando a revelar os fundamentos dos noves oruns (céu/além) dos iorubas nigerianos, enquanto que no Brasil o candomblé dividiu o universo em apenas orum e aye – a terra, simplificando o referencial devido a influencia do céu e inferno católicos.
Devemos questionar o estranho critério que levou a autora a associar o arcano 15- O Diabo a Exu. Os estudiosos das religiões afro-brasileiras sabem que o no Brasil o orixá Exu foi egunizado - ou até poderíamos dizer que foi quiumbanizado. De orixá moleque, ambíguo, travesso entre o bem e o mal relativos, o compadre se tornou o representante do mal absoluto segundo os pastores eletrônicos, tipo Edir Macedo e o Silas Malafaia.
Então não sei se faz bem a Exu associá-lo ao Diabo bíblico. Já que em nada se parecem. Enquanto o Diabo bíblico, segundo o livro Satã: uma biografia seria uma espécie de funcionário detestável do governo despótico do Deus de Moisés; Exu, ao contrário deste não teria função de tentar nem condenar ninguém, já que pós-mortem na cultura iorubana não é desejado nem ansiado. Morrer nas religiões tradicionais africanas é um período rápido. O bom mesmo é estar vivo e participando de tudo o que a vida oferece de prazeroso. Não há condenação eterna no além iorubano, pois depois de um certo tempo os mortos voltam a encarnar nos descendentes de seu clã. Maiores detalhes conferir a obra da antropóloga Ronilda Yakemi Ribeiro – Alma Africana no Brasil: os iorubás.
Deste modo, penso que Eneida Gaspar apenas repetiu o senso comum. Já Zolrak - optou por outro caminho. No seu tarô há a carta do Diabo, associada à luxuria, negatividade, magia negra, vampirismo energético como na maioria dos tarôs conhecidos e há a carta de Exu, associada à virilidade masculina.
No arcano 15 de Eneida Gaspar ela repetiu o cânone consagrado aos arcanos 15 tradicionais. Há uma figura maior que representa o Diabo, ou pelo menos, um exu rei, coroado e de tridente (como manda a quimbanda), com uma capa vermelha e preta que se transmuta em asas de morcego. Numa das mãos segura o tridente mencionado, que a tradição cristã tirou do Deus Netuno da mitologia grega. Na outra mão segura uma garrafa de aguardente, simbolizando os vícios alcoólicos. E como nas cartas tradicionais há mais duas figuras como que acorrentadas. Uma mulata acorrentada e com os seios de fora levanta a saia vermelha e mostra o corpo nu para o mulato. Um mulato acorrentado a um fogareiro revela ansiedade. Ambos, o casal de mulatos está dentro de pequenos círculos mágicos cheios de chamas amarelas. A chama do fogareiro também é amarela que simboliza intelectualidade ativa. Na carta predomina o vermelho o que revela o dinamismo agônico do sexo e da boêmia. O semblante da testa franzida do Exu coroado revela malícia e picardia. Já a mulata esboça uma gargalhada o que a deve associar a pomba-gira da quimbanda. O mulato está de costas e não podemos ver seu semblante, mas seu rosto esta voltado para as chamas do fogareiro de barro do qual saem correntes que o prendem pelo abdome, justamente o chacra das paixões grosseiras no corpo astral humano.
No tarô da editora Pensamento não há arcano 15, mas há o arcano do Diabo. O tarô da Pensamento foi ilustrado por Durkan. E a carta do Diabo tem um grafismo bem pobre. Não há a simetria do desenho de Walter Tunia do tarô lançado pela Editora Pallas. Sendo assim, o resultado ficou próximo de uma caricatura escolar muito mal desenhada. Ou talvez tenha sido essa a intenção do artista-plástico: representar o Diabo como algo grotesco, tosco, disforme e mal acabado.
Realmente o mito do Diabo cristão foi uma das ideias mais idiotas perpetradas por Papas e pastores. Dividir o universo em apenas duas metades antagônicas: de um lado Deus (o bem absoluto) e de outro o Diabo (o mal absoluto).É realmente uma forma de empobrecer um universo que cabe muito mais possibilidades e cores.
Dos tarôs analisados, o mais surpreendentemente africanizado é o da editora Artha. Este tarô é de autoria de Conceiçao Forty, foi ilustrado por Cláudia Krindges e teve consultoria de Ivoni Aguiar Tacques.
Nele não há a carta do Diabo, mas há o arcano 15 representado por Exu orixá. Nele vemos um negro descalço, vestido de preto e vermelho segurando um enorme ogó, bastão de madeira com a cabeça em formato de pênis.
Na carta o negro usa um saiote vermelho e negro e têm os braços cheios de brajás, fileiras de búzios.
Nas lendas africanas, como nas narrativas bíblicas, não há muita precisão historica. Exu ora aparece como um orixá primordial, sendo representado pelo fogo da brasa no inicio da criação, ora aparece como uma espécie de garoto de recados que trabalha sob pagamento e que mora nas ruas africanas.
No jogo de búzios dos candomblés brasileiros Exu é associado ao primeiro odu, quando um búzio está aberto e os 15 demais caíram fechados no tabuleiro e chama-se Okanran. Na maioria dos manuais de Jogo de Búzios que consultamos é quase sempre um odu perigoso e que precisa de muitos cuidados quando cai para um consulente.
Talvez até os religiosos dos culto afro-brasileiros que escreveram os manuais do Jogo de búzios existentes no mercado editorial tenham absorvido as superstições cristãs de satanizar Exu.
Por isso, dos tarôs de orixá analisados, realmente o desenhado por Cláudia Krindges da Editora Artha é o que mais se aproxima do que é enunciado pelos contos míticos nigerianos.
Cabe perguntar por que os missionários cristãos ao chegarem nos vilarejos africanos e verem fetiches consagrados a Exu, o associaram ao Diabo cristão. Para quem nunca viu, os africanos esculpem enormes pênis eretos no barro ou na madeira nos assentamentos consagrados a Exu.
O africano não-cristão ou não-islâmico tem um relacionamento natural com a sexualidade e ao invés de sacrificá-la e reprimi-la como manda Moisés no Levítico, eles a ressaltam.Pois enquanto a religião de Moisés e seus derivados são pautados pela pulsão de morte – basta ver o símbolo do cristianismo: um moribundo na cruz – as religiões tradicionais africanas (das quais o candomblé brasileiro herdou inúmeras coisas) são pautadas pela pulsão de vida – basta ver a ginga da capoeira e alegria do samba.
Tudo que é vivo assusta o Cristão, principalmente quando o vivo é mulher ou gay. Tudo o que se afirma em contraposição ao macho branco, ocidental, patriarcal assusta o Malafaia.
Para o cristão o corpo é sujo e fonte de pecado, a alma é que deve ser valorizada. Já na tradição iorubá o corpo (ara) é celebrado porque é com ele que vivemos e respiramos e não há conceito de pecado, pois a religião tradicional africana não lida com culpa.
COMO OS PRATICANTES DE CANDOMBLÈ LIDAM COM O TARÔ DOS ORIXÁS?
Não fizemos uma rigorosa pesquisa estatística para responder essa pergunta. Mas numa pequena amostragem populacional (três informantes) percebemos que o tarô dos orixás não desperta interesse por parte dos adeptos de candomblé. Os três informantes nunca tiveram acesso ao tarô dos orixás ou nem sabiam que existia no mercado editorial brasileiro esse tipo de oráculo.
Um ogã disse que nós deveríamos ter muito cuidado ao lidar com tarô porque segundo ele, quem responde no tarô são eguns (desencarnados). E revelou não ter interesse nenhum em jogar o tarô. Ele, como os outros dois informantes, preferem obter respostas de orixás, diretamente pelo método tradicional no candomblé brasileiro: a consulta aos búzios (meridilogun) .
Então cabe perguntar: quem se interessa em comprar tarô de orixá?E a resposta é uma hipótese: os tarólogos. Principalmente eles, já que quem é estudioso de tarô geralmente não consegue se conformar em ter só um tipo de tarô.
Mas suponho também que devido a qualidade excepcional dos tarôs analisados eles acabem despertando o interesse de curiosos que vão as livrarias e procuram o setor de religiões afro-brasileiras.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O propósito desse estudo não foi subsituir a consulta aos próprios tarôs analisados, mas de ser uma reflexão sobre a importância de ver o tarô como uma fonte iconográfica interessante sobre o universo das religiões afro-brasileiras, da diáspora negra, assim como, ser uma forma interessante de mergulhar na chamada África continental.
Postado por
XAVIER, Charles Odevan. Escritor profissional de livros especializados.
às
08:49
Nenhum comentário:
Marcadores:
caboclos,
Exu,
o Diabo,
Orixás,
preto-velhos,
Tarô da Pensamento,
Tarô das Artha,
Tarô das Pallas,
Zolrak
Assinar:
Comentários (Atom)




.jpg)
.jpg)


.jpg)

.jpg)
.jpg)

.jpg)
.jpg)
.jpg)

.jpg)