quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O NEGRO COMO SOLDADO DO TRABALHO

Este estudo é uma resenha crítica da obra BASTIDE, Roger; FERNANDES, Florestan. Brancos e negros em São Paulo: Ensaio sociológico sobre aspectos da formação, manifestações atuais e efeitos do preconceito de cor na sociedade paulistana - 4ª edição revista - São Paulo : Global, 2008; O livro surgiu como resultado de uma pesquisa encomendada pela UNESCO após a 2ª Guerra Mundial sobre as relações raciais no Brasil. A pesquisa originalmente foi feita em Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. O livro compreende a parte paulistana da pesquisa. No capítulo 1 DO ESCRAVA AO CIDADÃO e no Capítulo 2 COR E ESTRUTURA SOCIAL EM MUDANÇA, o sociólogo paulista Florestan Fernandes faz uma recuperação histórica fartamente documentada do negro na capitania de São Paulo no chamado Brasil colônia. Fala da escravização de indígenas e da escravização de negros africanos e o papel dos bandeirantes paulistas. Nos capítulos assinados pelo sociólogo francês Roger Bastide, o francês chega no século XX e faz uma análise de fenõmenos sociais como a FRENTE NEGRA BRASILEIRA, criada em 1931 e dissolvida em 1937 pela Ditadura Vargas. Segundo ele, este partido negro lutou por uma integração social e econômica dos negros brasileiros à sociedade dos homens brancos asssimilando-lhes seus valores morais e ideológicos. Não é à toa que um dos dois fundadores deste partido, reivindicava-se simpatizante da chamada ética do trabalho dos governos totalitários fascistas. Ou seja, ao negro decente e trabalhador: tudo. Ao negro vagabundo e cachaceiro: nada. Nos capítulos finais do livro assinados por Florestan Fernandes, o sociólogo paulista aprofunda a reflexão sobre a FRENTE NEGRA BRASILEIRA e tece comentários sobre a Lei Afonso Arinos. Para Fernandes, o Partido da FRENTE NEGRA BRASILEIRA conseguiu inserir-se até no cotidiano das patroas brancas ao contratem domésticas negras, pois nesse momento aquelas perguntavam as moças negras se elas eram da Frente Negra, tida como garantia de uma mão-de-bora diligente, eficiente e honesta. Florestan Fernandes vê nas entrelinhas dos manifestos e jornais da FRENTE NEGRA BRASILEIRA, traços da ética do trabalho e da visão do negro como soldado do trabalho do fascismo de Mussolini.

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